Manual do governo direciona relacionamento com imprensa

Há um mês está em funcionamento o Serviço de Pronta Resposta (SPR), criado por orientação da Secretaria de Comunicação de Governo, que visa a não deixar sem resposta imediata nenhuma notícia que o governo considere errada. Desde que o SPR foi criado, as redações dos jornais são "entupidas" de cartas. E há funcionário do governo se queixando de que não faz outra coisa na vida a não ser contestar notícias.De acordo com o texto de seis páginas de um manual que ensina tudo para a pronta resposta, o governo não deve brigar com os jornais, mas também não deve deixar mentiras sem respostas. Todos os funcionários do governo que trabalham nas Assessorias de comunicação receberam o texto com as orientações de como devem se comportar "para corrigir os erros da imprensa". O manual foi criado pelo jornalista Bernardo Kucinski, assessor especial do ministro de Comunicação, Luiz Gushiken, e passou por vários aperfeiçoamentos. "Esse modelo surgiu ainda quando o presidente Lula era oposição e o PT era um partido pequeno. As notas nos jornais eram muito agressivas", disse Kucinski à reportagem. Segundo ele, desde que o manual foi criado as crises nos ministérios foram reduzidas. Objetivo de ser didáticoO manual procura ser didático. Diz que as cartas de governantes aos jornais devem ter como objetivo corrigir um erro de informação ou responder a uma crítica ou infâmia. Já o patrulhamento ideológico ou a tentativa de interferência numa opinião jamais devem ocorrer. Reza ainda o manual que o jornalista tem direito ao erro não-intencional. "Tivemos esse cuidado, porque podemos atrapalhar para sempre a vida de um jornalista. E não queremos isso. Não queremos tirar a ousadia de ninguém", disse Kucinski.

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