Mantega pode continuar na Fazenda, mas destino de Meirelles ainda é incerto

Ex-professor de Dilma, Luciano Coutinho tem a opção de permanecer no BNDES ou ser presidente do Banco Central

Vera Rosa e Wilson Tosta, de O Estado de S.Paulo

01 de novembro de 2010 | 20h19

BRASÍLIA - Alvo da cobiça do PMDB, o Ministério da Fazenda pode continuar sob o comando de Guido Mantega. Ele deseja ficar e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defende sua permanência, sob o argumento de que a economia é uma área delicada e não se deve mexer "em time que está ganhando".

 

Lula já conversou sobre o assunto com a presidente eleita, Dilma Rousseff. Pediu a ela que também tentasse manter o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, por um período de no mínimo seis meses.

 

Dilma avalia essa possibilidade, mas o destino de Meirelles é mais imprevisível do que o de Mantega. A presidente eleita tem mais afinidades com o ministro da Fazenda, a quem chama de "Guidinho". Quando era chefe da Casa Civil, Dilma fazia dobradinha com ele na defesa do desenvolvimentismo.

 

No Planalto, auxiliares de Lula comentam que Meirelles deverá ocupar "lugar importante" na equipe, se não ficar na direção do Banco Central. Tanto pode comandar um ministério como uma estatal.

 

O presidente tem uma dívida de gratidão com Meirelles, que conseguiu manter a inflação sob controle - apesar de muito criticado por causa dos juros altos - e não deixou o governo para disputar as eleições. Filiado ao PMDB, Meirelles contava com o apoio de Lula para ser vice na chapa petista, mas nem tentou enfrentar Temer.

 

Além de Mantega, Dilma admira muito o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, que foi seu professor na Universidade de Campinas (Unicamp). Há três apostas para Coutinho: 1) permanecer no BNDES; 2) ser presidente do Banco Central e 3) ocupar a Fazenda, caso Mantega vá para outro cargo.

 

A intenção da presidente eleita é fortalecer, ainda, o Ministério das Comunicações, responsável pelo Plano Nacional de Banda Larga. Hoje sob direção do PMDB, o ministério tem percalços a enfrentar, a partir de 2011, como a crise nos Correios , alvo de loteamento político e denúncias de corrupção. Por lá passará o novo marco regulatório das comunicações.

 

Mulheres

 

A pedido de Lula, a Esplanada também contará com mais mulheres. Algumas delas já estão no governo, como Alexandra Reschke (Secretaria de Patrimônio da União), Maria das Graças Foster (Petrobrás) e Tereza Campelo (Casa Civil), mas devem ser promovidas.

 

Lula aconselhará Dilma, no entanto, a não puxar para a equipe nenhum senador ou senadora da base aliada. "Eu comi o pão que o diabo amassou no Senado", disse. "Precisamos ter apoio lá."

 

O Ministério da Justiça é outro que ficará na cota do PT. Mais uma vez, há dois nomes para a pasta: um grupo defende a permanência de Luiz Paulo Barreto, atual titular do cargo. Dilma está mais inclinada, porém, a nomear José Eduardo Martins Cardozo (PT-SP), um dos coordenadores de sua campanha. Se Barreto ficar na Justiça, Cardozo será acomodado em outra cadeira.

 

Orçamento

 

O maior problema de Dilma será tourear o PMDB, que quer ampliar sua fatia no governo. Atualmente, o partido comanda o Banco Central, seis ministérios (Comunicações, Saúde, Minas e Energia, Defesa, Integração Nacional e Agricultura) e uma penca de estatais.

 

Agora, além da manutenção desses cargos, o PMDB reivindica Cidades para Wellington Moreira Franco, a volta de Edison Lobão (MA) - afilhado político do presidente do Senado, José Sarney - em Minas e Energia e postos de comando na Petrobrás e na Petro-Sal.

 

"Cidades cresceu muito e tem um senhor orçamento. É o xodó da Dilma. Fico muito honrado de quererem ocupá-lo porque é sinal de que é bom. Ninguém gosta de patinho feio", disse o ministro das Cidades, Márcio Fortes (PP), sem demonstrar preocupação em perder a vaga. "A gente sabe que o PMDB está de olho em vários ministérios."

 

O vice-governador reeleito do Rio, Luiz Fernando de Souza (PMDB), o Pezão, como é mais conhecido, também foi sondado para ocupar o cargo. A possibilidade desagrada ao governador Sérgio Cabral Filho. Além da resistência de Cabral, há também dificuldades jurídicas: para ser ministro, ele teria de renunciar ao cargo de vice-governador.

 

Alessandro Teixeira, presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) é citado para comandar o Ministério da Micro e Pequena Empresa, que Dilma prometeu criar. Antônio Patriota, secretário-geral do Itamaraty, pode ser o novo chanceler, no lugar de Celso Amorim. Corre por fora o nome de José Maurício Bustani, ex-embaixador em Londres, hoje em Paris.

 

Para o Desenvolvimento Agrário o mais cotado, até o momento, é Joaquim Soriano, que foi secretário de Organização do PT e integra a corrente Democracia Socialista (DS).

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.