Mantega ironiza crise e pergunta: ?Que demissões??

Para abafar a crise desencadeada com a debandada em massa de integrantes da cúpula da Receita Federal, o governo adotou um discurso de indiferença. "Que demissões?", perguntou ontem o ministro da Fazenda, Guido Mantega, chefe hierárquico da Receita. O ministro negou qualquer ingerência política na administração do Fisco, como afirmaram12 servidores do órgão que entregaram seus cargos, na segunda-feira. Em resposta a uma pergunta sobre se haveria ingerência na Receita, respondeu: "Nada". E sobre as demissões no órgão, reagiu ironicamente: "Que demissões?" No mesmo diapasão reagiu o ministro de Relações Institucionais, José Múcio Monteiro. "Não há rebelião na Receita". Para o ministro, como "houve uma mudança de comando", "é natural" que ocorram outras mudanças. "Qualquer mudança de comando, em qualquer estágio, se procedem modificações administrativas. A forma de funcionamento, o índice de confiança, é natural na mudança de comando", declarou o ministro, em entrevista, no Quartel General do Exército. Questionado sobre se considerava natural que houvesse essa rebelião pela mudança de comando, respondeu: "Há um espírito de corpo presente no episódio, mas as coisas, a partir de hoje, estão serenadas". Indagado sobre as garantias de que o movimento seria encerrado, emendou: "Todos são da casa. Sucessores e sucedidos são da casa. Eles têm interesse em que a Casa funcione bem." Os partidos de oposição divulgaram ontem nota de solidariedade aos servidores da Receita. De acordo com a nota, a demissão "configura uma séria ameaça aos princípios de impessoalidade, ética, autonomia e transparência" do órgão. "O Democratas, o PPS e o PSDB vêm a público se solidarizar com esses servidores, que colocaram seus cargos à disposição, em gesto que só confirma as denúncias da senhora Lina Vieira de ingerência política na administração do Fisco federal. A oposição compartilha do sentimento dos servidores demissionários", diz a nota.

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