Mantega irá permanecer no Ministério da Fazenda

Segundo fontes, após reunião de quase duas horas com a presidente eleita, ministro aceitou convite

Vera Rosa/BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

18 de novembro de 2010 | 17h13

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, continuará no comando da economia no governo de Dilma Rousseff. Mantega conversou nesta quinta-feira, 18, com Dilma durante quase duas horas, na Granja do Torto. Na viagem que fez a Seul para a reunião do G-20, na semana passada, a presidente eleita já havia dado sinais de que Mantega permaneceria na Fazenda, como antecipou o jornal O Estado de S. Paulo.

 

Dilma gosta de Mantega, a quem sempre tratou por “Guidinho” quando era ministra da Casa Civil. No governo, ele sempre se aliou a Dilma na defesa da política desenvolvimentista, mesmo tendo embates com o então ministro da Fazenda Antonio Palocci, no primeiro mandato.

 

Um dirigente do PT lembrou nesta quinta-feira que a escolha da equipe econômica não passa pelo crivo de partidos e, portanto, pode ser divulgada antes das demais pastas. A intenção de Dilma é anunciar todo o primeiro escalão até 15 dezembro, dois dias antes de sua diplomação como presidente.

 

O discurso oficial, porém, ainda é de silêncio. O presidente do PT, José Eduardo Dutra, e o deputado José Eduardo Cardozo, ambos da equipe de transição de Dilma, não confirmaram nem negaram o convite a Mantega.

 

O ministro chegou ao prédio da Fazenda após a reunião com Dilma pela garagem, evitando os jornalistas que o aguardavam na portaria principal.

Em São Paulo, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, disse achar "excelente" a permanência de Mantega na Fazenda, apesar de argumentar que Dilma "deve renovar o máximo possível" o ministério.

 

Os mercados de ações e câmbio operavam nesta quinta-feira mais ligados à conjuntura internacional do que às notícias locais, como a manutenção de Mantega no cargo.

Para André Perfeito, economista da Gradual Investimentos, a permanência de Mantega é positiva na medida em que ele "faz parte de uma equipe que construiu uma solidez macroeconômica brasileira", mas também traz preocupações. "Ao insistir no câmbio, ele traz dúvidas e constrangimentos na condução da política monetária, estou receoso com isso."

 

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, não deverá ficar no posto. Para o seu lugar, o mais cotado é o diretor de Normas e Organização do Sistema Financeiro, Alexandre Antônio Tombini.

 

Com informações da Reuters

 

(Texto atualizado às 17h25)

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