Mantega diz que Lula deve deixar hospital ainda neste sábado

Ex-presidente foi diagnosticado com câncer na laringe; tratamento com quimioterapia, que será iniciado nos próximos dias

estadão.com.br

29 de outubro de 2011 | 11h38

SÃO PAULO - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou, após vista de cerca de 20 minutos que fez ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que ele está bem, que a doença dele tem cura, e que não há metástase. Lula foi diagnosticado com câncer na laringe neste sábado, 29.

"O presidente sempre foi um lutador e vai vencer essa doença", disse Mantega, ao sair do hospital. O ministro afirmou que Lula voltará para casa ainda neste sábado, mas não soube precisar horário.

Mantega contou que Lula vinha sentido desconforto com rouquidão, mas como tem viajado muito e feito muitas palestras, achava que isso fosse normal. Porém, durante a comemoração de seus 66 anos, na última quinta-feira, 27, foi  orientado pelo médico Roberto Kalil a fazer os exames.

Indagado sobre se a presidente Dilma Rousseff faria uma visita a Lula no domingo, 30, Mantega disse não ter informações a respeito. A agenda oficial da presidente prevê que Dilma só viajará para São Paulo na segunda-feira.

Mantega disse que o ex-presidente está animado, mas não pode falar, pois usa máscara de oxigênio.

Diagnóstico

Lula foi diagnosticado com um tumor localizado de laringe (veja infográfico abaixo) depois de realizar exames neste sábado, 29, no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Ele foi internado após reportar ao cardiologista Roberto Kalil que sentia dor na garganta e apresentava rouquidão. O médico o aconselhou, então, a ir ao hospital para ser examinado.

 

Após avaliação multidisciplinar, foi definido tratamento inicial com quimioterapia. O boletim médico divulgado pelo hospital informa que Lula está bem e deverá realizar o tratamento em caráter ambulatorial. Isso significa que ele não precisa ficar internado durante o tratamento.

 

O ex-presidente foi submetido hoje a uma intervenção cirúrgica para a realização de uma biópsia do tumor encontrado em sua laringe. Identificado em estágio inicial, o tumor tem entre 2 e 3 centímetros e é considerado de tamanho médio. Lula passará por três ciclos de quimioterapia, começando o primeiro na segunda-feira, 31. Os ciclos ocorrerão em intervalos de 20 dias. O tratamento deve durar três mses.

 

A equipe médica que assiste o ex-presidente é coordenada pelos médicos Roberto Kalil Filho, Paulo Hoff, Artur Katz, Luiz Paulo Kowalski, Gilberto Castro e Rubens Neto. O oncologista Paulo Hoff afirmou que o prognóstico para o tipo de câncer apresentado por Lula é "muito bom". Segundo a assessoria de imprensa do ex-presidente, Lula deixa o hospital ainda hoje rumo à sua residência, em São Bernardo do Campo.

 

Minutos depois da divulgação da notícia, usuários do Twitter criaram a hashtag #ForçaLula, com mensagens de apoio ao ex-presidente. O assunto já é um dos mais falados na rede social.

 

No mesmo hospital foi tratada com sucesso a atual presidente, Dilma Rousseff, de um linfoma não-Hodgkin, em 2009. Lula chegou ao poder em 2003 e, em 1º de janeiro de 2011, entregou a faixa presidencial a Dilma, vencedora das eleições. Nos últimos meses, Lula viajou para dezenas de países e recebeu homenagens pelo seu empenho na luta contra a pobreza e a fome.

 

O câncer na laringe está associado ao tabagismo, maior fator de risco, e ao consumo de álcool. Segundo informações do Instituto Nacional de Câncer (Inca), “pacientes que continuam a fumar e beber têm probabilidade de cura diminuída e aumento do risco de aparecimento de um segundo tumor”.

Para lembrar: Dilma enfrentou câncer linfático

 

Foi também em um sábado, 25 de abril de 2009, que a então ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, em entrevista coletiva no Hospital Sírio Libanês, anunciou que seria submetida a um tratamento contra câncer no sistema linfático. Um tumor de 2,5 centímetros fora retirado de sua axila e exames posteriores detectaram que o nódulo era o único foco da doença em seu organismo.

 

Pré-candidata do PT à sucessão de Lula, Dilma anunciou a conclusão do seu tratamento no dia 3 de setembro daquele ano, e disse que do ponto de vista médico estava curada. A informação foi confirmada por sua médica, a dra. Yana Augusta Sarkis Novis.

 

Por causa das sessões de quimioterapia, Dilma raspou o cabelo antes que ele começasse a cair, o que a fez usar peruca até dezembro de 2009. Em 2010, após dois turnos, foi eleita presidente do Brasil, com 55,75 milhões de votos.

 

(Atualizada às 18h52)

 

(Com informações da Efe e de Francisco Carlos de Assis  e de Marisa Castellani, da Agência Estado)

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