Mantega diz que indicação política é 'normal'

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, enfatizou hoje que indicações políticas são normais em governos de coalizão. "Temos uma base aliada, e isso é normal. Nos governos anteriores também se fazia isso", disse, durante audiência na CAE do Senado.

CÉLIA FROUFE, EDUARDO CUCOLO E ADRIANA FERNANDES, Agência Estado

13 de março de 2012 | 16h24

Mesmo assim, disse Mantega, ele não admitiria a entrada de funcionários nos órgãos do Ministério da Fazenda que não tenham qualificação técnica para cumprir sua função. "Qualificação técnica é imprescindível, e não abro mão dela", comentou.

O ministro disse que, após a indicação, olhou o currículo do então candidato a presidente da Casa da Moeda, Luiz Felipe Denucci, e que também falou com ele. Mantega enfatizou que Denucci já havia trabalhado no governo durante a gestão do tucano Fernando Henrique Cardoso. Listou também os lugares em que Denucci já havia ocupado "cargos importantes", como a CVM, a Susep, o Banco Central e o Banco do Brasil. "Foram postos importantes, de grande responsabilidade", salientou.

Mantega afirmou também que Denucci tinha bom currículo e fez bom trabalho na Casa da Moeda. "Na Casa da Moeda, ele teve bom desempenho. Então por que saiu de lá?", questionou. O ministro mesmo respondeu na sequência, dizendo que, desde o ano passado, passou a haver pressões e descontentamento sobre seu desempenho. "Isso começou a criar conflitos dentro da Casa da Moeda e dificultou o trabalho. Ele mesmo se sentiu incomodado sobre clima criado em cima dele", retratou.

Mantega disse que, como Denucci já havia completado um ciclo, começou então a pensar em sua substituição. O ministro relatou que o próprio funcionário havia pedido o afastamento. "Decidimos esperar o fechamento de balanço. Ele ia sair no início de 2012. Mas ficamos sabendo que a Folha de São Paulo estava preparando uma matéria com denúncias e daí apressamos sua demissão para que ele pudesse ter liberdade de responder questões fora da casa da moeda", contou.

Mantega resumiu todo o enredo destacando que não houve pressões políticas na chegada ou na saída de Denucci. "Não dá para dizer que atendi a pressões para ele ficar ou sair, foi dentro de critérios de racionalidade, de eficiência técnica. Ele teve bom desempenho", avaliou. O ministro disse ainda que as investigações continuam, que o MP vai investigar e a PF também. "Pedimos que isso ocorresse. As investigações serão levadas até o fim, até o cabo."

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