Fabio Motta/AE
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Mantega diz que Denucci foi indicação do PTB

Ministro da Fazenda diz que sabia de problemas de Denucci com a Receita, mas afirmou que isso não influenciaria no desempenho de sua função

Eduardo Cucolo e Célia Froufe

03 de fevereiro de 2012 | 13h24

Atualizada às 13h57

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que a indicação do ex-presidente da Casa da Moeda Luiz Felipe Denucci para o cargo foi feita pelo PTB, que trouxe também outros nomes que foram recusados pelo governo. “Em 2008, o PTB fez indicações para a presidência”, afirmou. “Eles me trouxeram o currículo desse presidente da Casa da Moeda, que era adequado.”

 

Mantega disse que a indicação foi feita pelo líder do PTB na Câmara. “Eu não conhecia essa pessoa, nunca tinha visto antes”, afirmou. O ministro falou ao chegar à sede do ministério, com o objetivo de esclarecer “pontos equivocados” publicados na imprensa sobre o assunto. 

 

Segundo Mantega, no final de 2010, ficou sabendo por meio de reportagem na imprensa que Denucci teria tido um problema em 2001 com a Receita Federal. O ministro disse, no entanto, que isso não tinha nenhuma interferência com a função que ele desempenhava e que, portanto, “não se justificava uma mudança por causa disso”.

 

“Ele teria trazido recurso do exterior, depositado na conta, enfim... havia alguma discussão. E a Receita já tinha agido no fato, já estava atuando. Ele passou por um procedimento administrativo, recorreu ao processo e parece que recentemente foi diminuída ou eliminada a multa que ele tinha sofrido”, disse Mantega.

Mantega afirmou ainda que, durante a gestão de Denucci à frente da Casa da Moeda, o PTB "voltou à carga" para substituí-lo no cargo e, para isso, fez acusações "sem fundamento". “Eu até falei: você tem algumas acusações para fazer, então faça e entre na Justiça”, disse Mantega, que relatou diálogo com o líder do PTB na Câmara, Jovair Arantes (PTB-GO).

 

“Você faça isso por uma via legal, pois aí sim poderemos investigar. Caso contrário, trazer suposições, que ele tem isso, tem aquilo, isso pode ser feito contra qualquer funcionário. Quando temos uma acusação formal, podemos abrir sindicância”, disse Mantega.

 

Segundo o ministro, o melhor a fazer agora é aguardar qualquer sinalização do Congresso Nacional. “Por enquanto, não há convocação e me parece que não temos mais a dizer do que isso. Parece que  (o caso) está amplamente retratado”, disse.

Investigação. O Ministério da Fazenda anunciou que daria início a um processo de investigação das informações a respeito do ex-presidente da Casa da Moeda Luiz Felipe Denucci, depois de reportagem envolvendo o nome do ministro Guido Mantega. Em nota divulgada no final da tarde dessa quinta-feira, 2, a pasta informou que decidiu instaurar uma comissão de sindicância investigativa para apurar denúncias publicadas nos últimos dias.

 

Denucci foi demitido no último sábado,29, pelo próprio Mantega, por suspeita de receber propina de fornecedores e lavagem de dinheiro. O ex-presidente da Casa da Moeda acusou o PTB de fazer uma campanha difamatória para que deixasse o cargo. Indicado pelo partido, ele perdeu o apoio político em 2010, mas foi mantido no posto.

 

Reportagem do Estado revelou que a Polícia Federal investiga movimentações financeiras milionárias do ex-presidente da instituição. Outra reportagem, do jornal Folha de S.Paulo, diz que o ministro da Fazenda manteve Denucci no comando da Casa da Moeda mesmo após ser alertado oficialmente, em agosto do ano passado, de que ele era investigado pela Receita e Polícia Federal.

 

Oposição. O PPS quer convocar Guido Mantega para prestar esclarecimentos na Câmara sobre as denúncias de corrupção na Casa da Moeda que resultaram na demissão de Denucci. O ex-presidente é investigado pela Polícia Federal e pelo Ministério Público por suspeita de lavagem de dinheiro. O PPS pretende apresentar o requerimento na Comissão de Fiscalização Financeira e Controle. Com o início do ano legislativo, as presidências das comissões são trocadas e a instalação só deve ocorrer nas próximas semanas.

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