Evaristo Sa/AFP
Evaristo Sa/AFP

Mantega 'azeitou' liberação de negócio da Previ com Odebrecht, diz Marcelo

Empreiteiro fala sobre atuação de ex-ministro para liberação de empreedimento da caixa de Previdência dos funcionários do Banco do Brasil

O Estado de S.Paulo

12 de abril de 2017 | 19h17

BRASÍLIA - Em delação premiada, o empreiteiro Marcelo Odebrecht, ex-presidente do grupo, falou sobre a atuação do ex-ministro Guido Mantega para destravar a liberação de um negócio pela Previ com a Odebrecht Realizações Imobiliárias. A Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, comprou parte do empreendimento imobiliário Parque da Cidade – o negócio contou com a ajuda de "Guido", forma como Marcelo se refere ao ex-ministro. Os dois mantinham relação de proximidade.

Segundo Marcelo, Mantega “azeitou” a  liberação do negócio. O empresário foi procurado por executivo responsável pela Odebrecht Realizações Imobiliárias para pedir “um conforto” por parte do então ministro da Fazenda sobre o negócio. Marcelo levou o caso a Mantega e depois disso lançou um crédito de R$ 27 milhões em favor do PT na conta corrente usada para fazer repasses de interesse ao governo.   

“Negociações dessa travam mesmo. Fica difícil dizer (se negócio teria sido feito sem a atuação de Guido Mantega). Teria destravado em mais tempo se eu não tivesse falado? Eu não posso dizer (...) Com certeza ajudou. Atrapalhar, não atrapalhou”, disse Marcelo, sobre a intervenção do então ministro da Fazenda.

Ele disse ainda que destinou R$ 4 milhões ou R$ 5 milhões da conta vinculada a interesses do governo ao deputado Carlos Zarattini (PT-SP) e ao ex-deputado Cândido Vaccarezza (PTdoB-SP), em razão de influência no negócio. “Eu sabia que Zarattini e Vaccareza tinham relação com Guido. Disse: ‘Se você (Paul Elie Altit, executivo da Odebrecht Realizações Imobiliárias)  prometeu a ele dar esse apoio, até consigo com Guido descontar na planilha italiano”, narrou Marcelo.

Em nota divulgada na terça-feira, dia 11, o líder do PT na Câmara disse que “delação não é prova”. “Todos os citados das bancadas do PT na Câmara e no Senado irão provar sua inocência nesse processo”, diz a nota. E completa: “É lamentável que mais uma vez haja a divulgação de inquéritos em que sequer os citados tivessem conhecimento do que são acusados”. / Beatriz Bulla, Fabio Fabrini, Breno Pires, Fabio Serapião, André Borges, Rafael Moraes Moura, Erich Decat

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