Mantega acena com flexibilização tributária pela CPMF

O governo está preparado paranegociar no Congresso a aprovação da prorrogação da CPMF, semalterar a atual proposta que está nas mãos do Senado, disse oministro da Fazenda Guido Mantega nesta segunda-feira. Ele afirmou a jornalistas em Washington, após participardas reuniões do Fundo Monetário Internacional, que não há tempohábil para fazer alterações na proposta e ainda aprová-la esseano, mas garantiu que o governo poderia assumir o compromissofuturo de "flexibilização tributária". "Quando voltar (ao Brasil) terei dezenas de reuniões comparlamentares. Vou procurar demonstrar a eles a necessidade deaprovar a CPMF tal qual foi apresentada ao Senado, com alíquotade 0,38 por cento, porque não podemos mudar agora, se não elateria que voltar à Câmara", disse o ministro, após palestra emevento organizado pela Câmara de Comércio Brasil-EstadosUnidos. "Estou aberto ao diálogo, quero negociar, acho que éconveniente para todos que possamos chegar a uma solução deconsenso", acrescentou o ministro. Mantega explicou que se a prorrogação da CPMF não foraprovada esse ano, a proposta terá que ser submetida novamenteao Congresso no ano que vem, via medida provisória, que ésujeita ao período de noventena e, portanto, significaria aperda de bilhões de reais em arrecadação tributária. "Aí estaremos em sérias dificuldades, que eu nem queropensar como resolvê-las", disse o ministro, alertando que,neste caso, caberá ao Congresso decidir o que cortar doOrçamento de 2008. "Esse orçamento só se sustenta com a CPMF. Se você tirar 15bilhões, 20 bilhões de reais desse orçamento, eles vão ter quecortar 15 bilhões ou 20 bilhões de reais provavelmente deinvestimentos do PAC, de investimento que beneficia os Estados,então é uma situação também constrangedora para osparlamentares", disse Mantega. Para a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, a nãoaprovação da CPMF colocaria em risco o "processo virtuoso" deretomada de crescimento econômico do Brasil, que, segundo ela,é em parte amparado pelos projetos sociais e de infra-estruturado governo. "Sem sombra de dúvida, tirar a CPMF das contas públicasbrasileiras vai significar um grande problema para esseprocesso virtuoso que nós estamos vivendo", disse ela apóspalestra no mesmo evento, em Washington. Dilma alegou que a oposição brasileira, por já ter sidogoverno, sabe da importância do imposto. "Eu acho que o Brasil precisa passar para uma nova etapa",disse ela, citando os exemplos do Chile e da Espanha. "Além dasdivergências político-partidárias, tem compromissos de Estadoque tem que ser respeitados, como crescimento econômico,distribuição de renda, gasto social, infra-estrutura."

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