Manobra fracassa e Renan sofre três derrotas no Senado

Com telefonemas, presidente do Senado tentava encerrar caso em reunião da Mesa

Agencia Estado

04 de julho de 2007 | 17h24

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), viveu nesta terça-feira, 3, o seu pior dia, desde que a representação do PSOL foi encaminhada por ele mesmo, ao Conselho de Ética, em 31 de maio. Segundo um dos integrantes da Mesa Diretora do Senado, Renan sofreu três derrotas ao longo da reunião desta manhã, que foi interrompida várias vezes, por telefonemas do próprio Renan aos dirigentes da Casa.A discussão do caso Renan foi parar na Mesa do Senado na última segunda-feira por decisão de Leomar Quintanilha, presidente do Conselho de Ética, que tirou o processo do órgão e o devolveu à Casa para retomar o caso do zero. Renan responde a processo por quebra de decoro, acusado de ter despesas pessoais pagas por um lobista. Sua primeira derrota desta terça-feira foi a fracassada tentativa de arquivar a representação do PSOL, na própria Mesa. Não houve ambiente político sequer para prosseguir a discussão dessa alternativa posta pelo primeiro vice-presidente, senador Tião Viana (PT-AC). Não houve uma só voz, na Mesa, que se levantasse em favor do arquivamento.A segunda ofensiva dos aliados de Renan foi a de levar a votação ao plenário do Senado, que teria de decidir se cabia arquivamento ou o envio da representação ao Conselho. Os aliados de Renan defenderam que o plenário tomasse sua decisão pelo voto fechado. Mas o advogado do Senado, Alberto Cascais, foi chamado a opinar e esclareceu que o regimento interno não permitia o voto fechado. Informado dessa decisão pelo líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), que acompanhou parte da reunião, Renan tentou ainda uma terceira alternativa: o voto aberto, em plenário. Embora o PSDB e o PFL tenham recomendado a seus representantes decidir pelo envio direto da representação ao conselho, houve um momento da reunião em que todos os membros da Mesa decidiram, por unanimidade, que a representação deveria passar pelo plenário. O senador Tião Viana, que conduzia a reunião, chegou a dizer que os membros da Mesa tinham apenas duas alternativas: "ou vai para o plenário ou a representação morre aqui". A Mesa votou e decidiu que a discussão via plenário era a melhor saída. Só que nesse momento, segundo um dos participantes, "instalou-se um tumulto". Emissários de Renan dispararam telefonemas para os membros da Mesa, quando o advogado do Senado voltou a ser acionado e opinou que a votação aberta em plenário seria, na verdade, um pré-julgamento do Conselho de Ética. O presidente do Senado teve então que recuar, porque também foi alertado de que corria o risco de ser desautorizado pelo plenário. A decisão, então, foi de voltar o assunto diretamente para o Conselho de Ética, sem passar pelo plenário, como defendiam, no início da reunião, o PSDB e o PFL. O tumulto foi tamanho, segundo relato de participantes, que o caso do senador Joaquim Roriz (PMDB-DF) nem chegou a entrar em pauta. Outros sinais de enfraquecimentoTambém nesta terça-feira, o PSDB decidiu pedir o afastamento de Renan da presidência do Senado e a devolução do processo contra o senador ao Conselho de Ética, seguindo a linha já adotada pelo DEM (ex-PFL). E os governistas teriam se manifestado contra o encaminhamento do documento à Mesa do Senado, segundo o senador Demóstenes Torres (DEM). Torres afirmou ter recebido do senador Aloizio Mercadante (PT), esta manhã, a informação de que o bloco governista divulgaria uma nota oficial defendendo a continuidade, no Conselho de Ética, da investigação sobre Renan.

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