Manobra de Renan é assunto da noite em jantar natalino

A confraternização foi prestigiada pelo presidente Michel Temer; Randolfe e Caiado, ambos contrários à urgência de votação do pacote anticorrupção, preferiram não participar

Isabela Bonfim, O Estado de S.Paulo

01 Dezembro 2016 | 01h45

BRASÍLIA - Depois de uma sessão plenária conturbada, senadores se reuniram na noite desta quarta-feira para o tradicional jantar natalino oferecido pelo peemedebista Eunício Oliveira (CE) em sua casa, em um bairro nobre de Brasília. O assunto, entretanto, não poderia ser outro: a manobra conduzida pelo presidente do Senado, Renan Calheiros, para agilizar a votação do pacote anticorrupção, foi tema de várias rodinhas de conversa. 

Mesmo com o clima de descontração, alguns se disseram incrédulos com a iniciativa de Renan de tentar votar o pacote no Senado, mesmo sob críticas dos procuradores da Lava Jato, menos de 24 horas após a aprovação da Câmara. Por outro lado, houve quem ponderasse que Renan não bancou a manobra sozinho. 

Apesar de tradicional, alguns senadores consideraram o jantar natalino deste ano "esvaziado" e calcularam que pouco mais de 30 dos 81 senadores estiveram presentes. Os líderes do governo, Romero Jucá (PMDB-RR) e Aloysio Nunes (PSDB-SP) deixaram a festa antes mesmo das 22h. 

Chateados com as discussões durante a sessão, senadores como Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e Ronaldo Caiado (DEM-GO), ambos contrários à urgência de votação do pacote anticorrupção, preferiram não participar da confraternização por julgarem que "não havia clima". 

Os presentes, entretanto, culparam as ausências pelo cansaço das votações da semana e negaram qualquer tipo de desavença ou clima pesado. Além dos senadores e amigos pessoais de Eunício, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), os ministros do Planejamento, Dyogo Oliveira, e da Justiça, Alexandre de Moraes, também estiverem presentes.

O ex-presidente José Sarney, que mora em Brasília, não perdeu a festa. O peemebista estava muito bem, caminhando entre as rodas de convidados e cumprimentando a todos. O deputado Sandro Mabel (PMDB-GO), que busca a vaga de ministro da Secretaria de Governo após o afastamento de Geddel Vieira Lima, não poupou elogios ao principal cacique do PMDB e disse que todos chamavam Sarney de "professor". 

A confraternização foi prestigiada pelo presidente Michel Temer, que chegou por volta das 23h, acompanhado do secretário do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), Moreira Franco. Ao entrar, Temer cumprimentou individualmente cada uma das mesas e depois se dirigiu à varanda, onde conversou com parlamentares enquanto fumava um charuto. 

Oposição. A oposição também marcou presença no jantar, que é considerado apartidário. Coincidência ou não, eles acabaram abandonando a festa tão logo chegou o presidente Michel Temer. "Ele entrou por uma porta e eu saí pela outra; ainda bem que a casa tem muitas portas", brincou a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), que foi embora acompanhada de Lídice da Mata (PSB-BA). 

Já o líder do PT, Humberto Costa (PE), não fez cerimônias: "Evitei esse desprazer para mim e para ele (Temer)", afirmou ao contar que não fez qualquer questão de cumprimentar o presidente.

Kátia Abreu (PMDB-TO), amiga da ex-presidente Dilma também não cumprimentou Michel Temer. "Juro que foi apenas por falta de oportunidade", disse. Bem-humorada, a senadora deixou a festa levando um pratinho de doces para o marido e ainda brincou com o episódio que protagonizou na festa do ano anterior, quando, em uma discussão, jogou bebida na cara do senador José Serra. "Desta vez, não desperdicei vinho com ninguém", disse entre risos. 

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