EFE/ Antonio Lacerda
EFE/ Antonio Lacerda

Manifestantes se reúnem em ato contra a ditadura militar no Centro do Rio de Janeiro

Evento foi convocado pelos movimentos Fora Bolsonaro, Comitês de Luta contra o Golpe e pela União Nacional dos Estudantes (UNE), PT, PCO e PCdoB. 

Constança Rezende, O Estado de S.Paulo

31 de março de 2019 | 17h50

RIO – Manifestantes vestidos de preto estão reunidos na tarde deste domingo na Cinelândia, no centro do Rio, para o ato “Ditadura Nunca Mais”. A concentração começou nas escadarias da Câmara dos Vereadores. O ato foi convocado pelas redes sociais, para as 15 horas. Por volta das 17 horas, 14.547 pessoas confirmaram presença no evento criado no Facebook.

Em um carro de som, políticos estão se revezando para fazer discursos, como o ex-deputado federal Chico Alencar (PSOL). Os deputados federais Alessandro Molon (PSB-RJ) e Jandira Feghali (PCdoB-RJ) também estão no local.

“É de cuspir o que fez o presidente Jair Bolsonão chamar essa celebração. É canalha mesmo. A gente sabe que ainda há tortura do Brasil”, disse Jandira, ao discursar de cima do carro de som, numa referência à recomendação feita pelo presidente Jair Bolsonaro, para que os militares fizessem atos em memória ao aniversário de 55 anos, completos hoje, do golpe de Estado de 1964, que instaurou o regime de exceção que duraria até 1985.

No ato na Cinelândia, há pessoas vestidas com blusas de homenagem à vereadora carioca Marielle Franco (PSOL), assassinada a tiros em março de 2018. Manifestantes carregam bandeiras da Central Única dos Trabalhadores (CUT). Há também bandeiras que pedem a liberdade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso em processo decorrente das investigações da Operação Lava Jato.,

Entre os manifestantes, a professora de língua portuguesa Sandra Chaves, de 65 anos, vestia preto e carregava um cartaz com a frase “1964 nunca mais”. “Minha vinda aqui significa o meu repúdio a qualquer coisa que fale de volta ou homenagem à ditadura ou a torturadores. Não passamos a ditadura a limpo como deveríamos. Mantemos as ruas, prédios com nomes de ditadores, como a Ponte Rio-Niterói. Esse foi o nosso erro. É preciso extinguir isso”, disse Sandra.

A professora se referia ao fato de a ponte que liga o Rio a Niterói, trecho da BR-101, ser nomeada oficialmente de Ponte Presidente Costa e Silva, em homenagem ao marechal Artur da Costa e Silva, segundo presidente do regime militar.

O estudante de direito Rafael Moura, de 24 anos, foi ao ato vestindo uma camiseta com a frase “Ditadura nunca mais”. “Esse ato tem um simbolismo maior este ano devido à conjuntura do momento, com autoridades celebrando esses tempos terríveis. Temos que voltar às escolas e ensinar para as futuras gerações o que aconteceu realmente”, disse Moura.

Conforme o evento criado no Facebook, o ato deste domingo foi convocado pelos movimentos Fora Bolsonaro, Comitês de Luta contra o Golpe e pela União Nacional dos Estudantes (UNE), além dos partidos políticos PT, PCO e PCdoB. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.