Gabriela Caesar/Estadão
Gabriela Caesar/Estadão

Manifestantes protestam contra nomeação de Lula na Av. Paulista

Ato começou com grupo de 30 pessoas que decidiram fazer vigília no vão livre do MASP e chegou a 5 mil, segundo a PM

Gilberto Amendola e Gabriela Caesar, O Estado de S.Paulo

16 Março 2016 | 18h57

Um grupo de 30 manifestantes iniciou uma vigília no vão livre do MASP, na Avenida Paulista, nesta quarta-feira, 16, contra o que chamam de "golpe petista" - em referência à nomeação nomeação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como ministro-chefe da Casa Civil. Perto das 22 horas já eram mais de 5 mil pessoas reunidas, segundo estimativa da PM - e mais gente chegava.

A manifestação, que estava prevista para começar às 18h, foi antecipada por um aposentado. Com um pedaço de papelão nas mãos, onde se lia "FUGIR JUSTIÇA NÃO", ele se colocava em frente dos carros e pedia buzinadas de apoio. "Saí da zona norte, peguei metrô, e estou aqui fazendo a minha parte. Lula não pode ser ministro. Isso é um golpe", disse Lorival Andrade, 57 anos.

Lorival conquistou muitas buzinadas de apoio, mas reagiu mal à crítica de um outro aposentado que reclamou do pouco talento do manifestante em produzir cartazes de impacto. "Com esse papelão, essa letra verde pequenininha, não há Cristo que consiga ler. Tem que se manifestar, mas com capricho", argumentou Antônio Campos, 68 anos. 

Às 18h, quando outros manifestantes chegaram, o discurso era que o horário escolhido para a manifestação era propício para "trabalhadores de verdade é que pagam seus impostos". Assim, entre outros imprevistos, a designer de joias Flávia Lecena confirmou que precisou desmarcar a terapia para participar do evento ("o que era um absurdo porque terapia é bastante caro", disse ela).

Aos gritos de Lula na cadeia, o grupo se mostrou dividido em relação à ideia de permanecerem no MASP até Lula desistir do ministério. "Aqui é perigoso, passou de certa hora fica cheio de maconheiro e black bloc", disse Carmen Lucci, 65 anos. Já o biomédico Lucas Egas, 33 anos, espera revezar com outros amigos e passar o tempo que for necessário no vão livre do MASP. "O problema é que os chamados coxinhas trabalham", disse irônico.

Os manifestantes empunham bandeiras do Brasil e seguram cartazes com críticas a Lula assumir o cargo. As frases "Lula na cadeia" e "Fora PT" são repetidas pelos participantes do protesto.

Segundo a porta-voz do movimento Nas Ruas, Carmen Lutti, que é assistente social e advogada, o ato foi organizado por um "grupo de cidadãos indignados". Ela disse que o movimento ainda não tem nome oficial e é formado por amigos e integrantes do Nas Ruas.

Agressão. Por volta das 18h30, o instrutor de vídeo Lucas Brasileiro, de 21 anos, e a estudante Isadora Schutte, de 18, atravessavam a rua, ocupada pelo grupo que protestava, quando começou a violência começou. O Estado não conseguiu identificar quem começou a briga. O casal acabou sendo hostilizado e intimidado por manifestantes, que gritavam "petistas" e xingamentos. O instrutor de vídeo ficou ferido no rosto e sangrava no local.

Segundo a estudante, ela teria dito alguma coisa a um protestante que pedia a prisão do ex-presidente Lula. O homem, não identificado, teria agredido Isadora em seguida. O namorado afirmou que entrou na confusão para defendê-la.

"Eu estava voltando do trabalho da minha namorada. Algum dos caras gritou que Lula tinha que ser preso. Ela não aguentou e respondeu a ele. Ele a agrediu, e outros foram para cima para agredi-la", disse Brasileiro.

Posteriormente, o casal voltou para a manifestação, acompanhado de policiais militares, e identificou um dos homens que estaria envolvido nas agressões. Todos foram prestar depoimento na delegacia. 

Ao Estado, o homem se identificou como Marcelo Lallo, instalador de acessórios automotivos. Lallo afirmou que estava no ato quando Isadora e Brasileiro passaram "atropelando" os manifestantes. De acordo com ele, a estudante teria tentado tirar a bandeira do Brasil da mão de uma mulher.

Ele ainda disse que também ficou ferido por causa de tapas, arranhões e pontapés. "Eu e mais um grupo de pessoas fomos retirá-los do local, até então a polícia ainda não estava com seu efetivo, quando o rapaz me desferiu um cuspe na cara. Eu reagi a esta injusta agressão e o dei uma cabeçada no nariz", contou Lallo.

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