Manifestantes pró e contra governo participam de atos na Esplanada dos Ministérios

Apoiadores do presidente se reuniram em frente ao Museu Nacional; movimentos contrários a Bolsonaro se juntaram ao protesto do Grito dos Excluídos

Marlla Sabino, O Estado de S.Paulo

07 de setembro de 2020 | 16h22
Atualizado 07 de setembro de 2020 | 18h22

BRASÍLIA - Manifestantes favoráveis e contrários ao governo do presidente Jair Bolsonaro realizaram atos em Brasília nesta segunda-feira, 7, Dia da Independência do Brasil. As manifestações foram realizadas na Esplanada dos Ministérios, onde tradicionalmente acontece o desfile cívico em celebração ao 7 de setembro. O evento, no entanto, foi cancelado por causa da pandemia do novo coronavírus. 

De um lado da Esplanada, apoiadores do governo se reuniram em frente do Museu Nacional e desceram a Esplanada em direção ao Congresso Nacional. Os manifestantes levaram bandeiras do Brasil e balões verdes, amarelos e azuis.

Do outro lado da rua, integrantes de movimentos contrários a Bolsonaro se juntaram ao tradicional protesto do Grito dos Excluídos para a realização de um ato cênico performático. Diferentes grupos e representantes de movimentos feministas, LGBTQIA+, negros e indígenas participaram do ato.

O senador Humberto Costa (PT-PE) compartilhou imagens da manifestação em seu perfil no Twitter. "Manifestação silenciosa em Brasília. Contra esse desgoverno de Bolsonaro. Contra todas as atrocidades cometidas, contra as retiradas de direitos do povo, contra as mentiras. 7 de setembro de luta!", escreveu o parlamentar. 

Outros parlamentares do Partido dos Trabalhadores também publicaram imagens da manifestação nas redes sociais. 

Já o deputados Carlos Jordy (PSL-RJ) criticou o movimento. "Protesto contra o presidente Bolsonaro: meia dúzia de gatos pingados sujando Brasília. Já estamos acostumados a limpar a sujeira que a esquerda faz", escreveu Jordy na legenda ao compartilhar um vídeo do ato de grupos contrários ao governo.

O deputado José Medeiros (Pode-MT) também criticou os atos realizados em Brasília. "Vão limpar a sujeira depois? Duvido, imagine se vão apagar a assinatura." 

Nesta manhã, Bolsonaro participou de evento em celebração à data no Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência. A cerimônia foi realizada em substituição ao tradicional desfile. Além das principais autoridades de Brasília, como o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, o público presente pôde acompanhar a solenidade. 

Aos gritos de “mito”, os apoiadores do presidente seguravam bandeiras do Brasil, dos Estados Unidos e de Israel. Sem máscara, o presidente cumprimentou apoiadores que o aguardavam e tirou fotos com alguns deles em diversos momentos do evento. A celebração contou com o hasteamento da Bandeira Nacional e com apresentação da Esquadrilha da Fumaça por cerca de dez minutos.

São Paulo

Aliada do presidente, a deputada Carla Zambelli (PSL-SP) postou fotos com apoiadores do governo no Twitter e convidou as pessoas para participarem da manifestação pró-governo em São Paulo, na Avenida Paulista.

Ao chegar ao ato, o fotógrafo do Estadão Daniel Teixeira recebeu empurrões de alguns dos cerca de cem manifestantes presentes e ouviu xingamentos direcionados à imprensa. Em um primeiro momento, Teixeira procurou fazer o registro de um bate-boca entre os manifestantes e uma opositora do governo Bolsonaro que passava pelo local gritando palavras de ordem contra a atual gestão federal.

Nesse momento recebeu os empurrões. Depois, um manifestante que havia tentado impedir Teixeira de realizar o seu trabalho de cobertura fotográfica se dirigiu ao profissional para perguntar qual era o valor da câmera que ele carregava. Ao menos um outro fotógrafo da imprensa também  foi hostilizado. 

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