Manifestantes ocupam Ibama contra hidrelétrica no Ribeira

Prédio só foi desocupado no final da tarde; protesto é contra o parecer favorável à construção no Tijuco Alto

Roberto Almeida, de O Estado de S.Paulo

12 de março de 2008 | 19h38

Cerca de 200 membros do Movimento dos Ameaçados por Barragens (Moab) e de diversas entidades da sociedade civil passaram esta quarta-feira, 12,  entrincheirados na sede do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), em São Paulo. Eles protestaram contra o parecer favorável à construção da Hidrelétrica de Tijuco Alto, no rio Ribeira de Iguape, na divisa entre Paraná e São Paulo. O edifício só foi desocupado no final da tarde, após o Ibama ter mostrado disposição em ouvir as exigências das comunidade afetadas pela barragem.  Durante a manifestação, gritos de ordem tinham como alvo o empresário Antônio Ermírio de Moraes, do conselho do Grupo Votorantim, que prevê investimentos de R$ 500 milhões na hidrelétrica. Ela forneceria 144 megawatts - o que corresponde a 1% da produção de Itaipu - exclusivamente à Companhia Brasileira de Alumínio (CBA) para incrementar sua capacidade de produção. O projeto arrastou-se durante 20 anos por impasses ambientais e está próximo de receber a licença prévia que possibilita o início das obras.  O diretor de campanhas do Greenpeace, Marcelo Furtado, prestou solidariedade aos movimentos sociais e resumiu a posição dos ambientalistas: "O Brasil não precisa de projetos como esse." De acordo com a assessora jurídica da ONG Instituto Socioambiental (ISA), Luciana Bedeschi, o protesto serve para ressaltar que há estudos complementares ignorados pelo Ibama. Além disso, força uma reavaliação do estudo de impacto ambiental, que, segundo ela, "não conclui pela viabilidade do projeto".  O deputado Raul Marcelo (PSOL-SP) esteve na manifestação e ouviu espeleólogos preocupados com a situação de cavernas, que seriam alagadas com a construção da barragem. "Não aceitamos o fechamento das cavernas", disse o deputado, que propôs que o rio Ribeira de Iguape fosse considerado patrimônio da humanidade, mas teve o projeto vetado pelo governo do Estado. "A caverna é mais um galho que segura a construção da barragem, é um galhinho fraco mas está lá", afirmou. A usina ficaria a 6 quilômetros da cidade de Ribeira (SP), que conseqüentemente seria a mais atingida pelo alagamento previsto de 51,8 quilômetros quadrados. O prefeito Jonas Dias da Silva (PMDB), porém, declara que "não é contra" a usina, mas pede uma compensação financeira para o município. "Existem promessas, mas não há nada oficial", disse. Outra cidade que receberia o impacto da implantação da barragem seria Registro (SP). Para o prefeito Clóvis Vieira Mendes (PMDB), o apoio à construção é incondicional. "Seria nosso regulador de cheias. Não sofreríamos mais como sofremos em 1997, com a maior cheia da história da cidade, que dizimou 70% dos bananais e expulsou a população ribeirinha", explica. "Teríamos um benefício econômico indireto com o retorno da cultura na lomba do rio." Condições O parecer favorável apresentado pelo Ibama, que resultou no protesto de ontem, impunha à CBA a solução de duas pendências antes de dar início à construção da Tijuco Alto: a inundação de cavernas, que seria avaliada pelo Instituto Chico Mendes, e o direito de uso de recursos hídricos do Ribeira, que seria revalidado pela Agência Nacional de Águas (ANA).  A CBA declara que está trabalhando para atender às solicitações do Ibama a fim de dar viabilidade ao empreendimento. Porém, sobre o resultado do protesto de ontem, que deve atrasar ainda mais o início das obras, a empresa ainda não tomou posição oficial.

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