Manifestantes invadem fazenda no RS e arrancam soja

Cerca de 1,5 mil pequenos produtores rurais e trabalhadores sem terra invadiram a Fazenda Guabijú, no município de Jóia, a 430 quilômetros de Porto Alegre, e arrancaram um hectare da plantação de soja, nesta segunda-feira. A partir de um teste feito com um kit idêntico ao usado nos exames da Secretaria da Agricultura, denunciaram que a lavoura é transgênica.No início da tarde, em 25 ônibus, os manifestantes deixaram a fazenda e voltaram para suas regiões. Uma comissão de 10 pessoas levou amostras ao Ministério Público Federal, em Santo Ângelo. Na mesma denúncia, a comissão também relacionou as propriedades de Ataliba Soldera e Duilio Ceolin, ambas em Tupanciretã, como produtoras de soja transgênica, e as agropecuárias São Carlos e Bianchini como vendedoras de sementes geneticamente alteradas. Também pediu o embargo de todas as lavouras de soja transgênica ? acredita-se que a maioria da região.Segundo os agricultores participantes da reunião, o promotor Osmar Veronese prometeu investigar o caso. ?Se confirmada a transgenia, queremos que os cultivos sejam queimados, assim como são incineradas as também ilegais plantações de maconha?, disse um porta-voz dos manifestantes.É a terceira vez nos últimos anos que a Fazenda Guabijú, de 9,8 mil hectares, é invadida. Nas outras duas, o proprietário, Roberto Mascarenhas, conseguiu a reintegração de posse. O presidente da Comissão Fundiária da Federação da Agricultura no Rio Grande do Sul (Farsul), Gedeão Ferreira, afirma que diante das invasões anteriores, Mascarenhas optou por plantar exclusivamente soja.Antes ele também criava gado, atividade que os sem-terra julgavam improdutiva para justificar as invasões. ?Agora ele foi atacado de novo, mesmo tendo toda sua fazenda cultivada?, reclama Ferreira.Ao mesmo tempo em que os movimentos de sem-terra, atingidos por barragens, e pequenos agricultores promoviam a manifestação contra os transgênicos, outros grupos, menores, de cerca de 100 agricultures familiares cada, protestavam em frente às agências do Banco do Brasil em Porto Alegre, Erechim, Espumoso, Sarandi, Sananduva e Tenente Portela.Eles querem liberação de recursos do Pronaf e auxílio para enfrentar as perdas da seca. O superitendente regional do Banco do Brasil, Derci Alcântara, disse que R$ 200 milhões da captação de poupança da instituição poderiam ser destinados aos pequenos agricultores de todo o País, se houver um acordo com o Ministério do Desenvolvimento Agrário. Os manifestantes prometeram esperar 15 dias. Se não houver uma solução, anunciam novas manifestações para daqui a duas semanas.

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