Manifestantes hostilizam Graziano em Fortaleza

O ministro da Segurança Alimentar, José Graziano da Silva, em visita hoje ao Ceará, foi hostilizado por alguns manifestantes na Assembléia Legislativa, em Fortaleza. No primeiro compromisso do dia, um seminário sobre o Fome Zero, ele foi recepcionado no local com a faixa: ?Graziano, marginal é você! Fome Zero é demagogia". Ao ser anunciado para compor a mesa, ele teve que ouvir palavras de ordem do tipo: "Abaixo a discriminação, nordestino não é ladrão" e "Fora demagogo, nordestino não é bobo". As frases eram intercaladas com gritos de "Filhote de Sadam".O presidente da Assembléia, deputado Marcos Cals (PSDB), chegou a bater boca com o grupo de manifestantes, ameaçando esvaziar o local. "Não vou admitir desrespeito no plenário", disse Cals. "Ele desrespeitou o povo nordestino", respondeu-lhe um dos manifestantes. Os ânimos só acalmaram depois que o deputado assegurou que abriria o microfone para o grupo.Durante sua explanação sobre o Fome Zero, o ilustrou a vontade do governo federal em acabar com a existência de dois Brasis, o de baixo e o de cima. "Nós queremos passar a viver juntos, todos, num Brasil digno; num Brasil só", afirmou.A ex-vereadora de Fortaleza, Rosa da Fonseca - que integra o movimento "Internacional Emancipacionista" -, falou em nome dos manifestantes. Primeiro, ela repudiou e se disse indignada com a forma "desrespeitosa" com a qual o ministro se referiu ao povo nordestino, durante uma reunião com empresários paulistas - quando Graziano disse ser preciso mandar alguma coisa para o Nordeste para que não fosse mais necessário andar de carro blindado.Na coletiva concedia aos jornalistas, o ministro admitiu ter feito "uma construção infeliz", mas que já havia se retratado com o povo nordestino e que o assunto já era "página virada". Sobre o Fome Zero, disse que foram feitas pesquisas qualitativas e quantitativas sobre o programa nas cidades de Guaribas e Acauã, ambas no Piauí, e que o resultado das mesmas seriam apresentadas noutra oportunidade. Ele antecipou, no entanto, que foi detectado uso indevido pelo que ele definiu como "cultura machista". "Já percebemos que quando é o homem que recebe, o dinheiro é desviado para outros fins. Por isso, vamos estamos criando uma lei para que o benefício seja entregue somente à mãe ou a mulher representante da família", informou Graziano. Outra falha apontada por ele, foi o aumento de preços. Mas que o problema foi corrigido, em Guaribas, com a criação de duas feiras livres e a instalação de uma rádio comunitária, que será usada para advertir a população. O Ceará é o terceiro estado do semi-árido nordestino a ser beneficiado com o Fome Zero. Foram incluídos 12 municípios: Barro, Caridade, Chorozinho, Independência, Irauçuba, Jaguaribara, Jardim, Nova Olinda, Orós, Pentecoste, Pereiro e Quixelô.

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