Manifestantes do MST mantêm invasão na sede do Incra em BH

Movimentos resistiram ao cumprimento judicial de reintegração de posse e continuaram no local

Eduardo Kattah, de O Estado de S.Paulo

29 de abril de 2008 | 19h09

Manifestantes ligados ao Movimento dos Sem-Terra (MST) e outros movimentos resistiram nesta terça-feira, 29, ao cumprimento judicial de reintegração de posse e mantiveram a invasão à sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em Belo Horizonte. O prédio foi ocupado na manhã de segunda e à noite o juiz da 3ª Vara Federal, Ricardo Machado Rabelo, expediu mandado de desocupação.  Nesta terça, por volta de 8h30, um oficial de Justiça esteve no local e entregou o mandado aos líderes da ocupação, que decidiram resistir. O clima ficou tenso e policiais militares cercaram o prédio. Os invasores viraram a carcaça de um automóvel do órgão e montaram uma barricada no estacionamento. Eles também espalharam extintores em frente ao portão.  "O Incra daqui tratou trabalhadores como caso de polícia", reclamou Daiana Machado, do MST.  A situação se acalmou depois que os movimentos receberam a promessa de que o vice-presidente do Incra, Roberto Kiel, viajaria até a capital mineira para se reunir hoje (30) com os manifestantes. O efetivo da PM foi desmobilizado.  No final da tarde, policiais voltaram ao local para averiguar uma suposta denúncia de cárcere privado dentro do órgão. Os manifestantes negaram a suspeita, mas não permitiram a entrada dos PM's.  Segundo os movimentos, cerca de 500 pessoas, entre sem-terras, quilombolas, integrantes do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), sindicalistas e estudantes, participaram da ocupação e permaneciam ontem (29) nas dependências do Incra-MG.  Campanha - No grupo havia mulheres e crianças. Os invasores espalharam colchões e se acomodaram nas dependências do órgão. Muitos carregavam foices e enxadas. No portão da sede do Incra foi afixada uma faixa irônica: "Fechado para Balanço." Representantes do MST em Minas iniciaram uma campanha pela substituição do superintendente regional, Marcos Helênio Leoni Pena, que acusa o movimento de orquestrar uma "jogada política" pela sua saída do cargo. Por questão de segurança, conforme Pena, os trabalhos no órgão foram suspensos e os funcionários dispensados.  "Nesses seis anos de gestão do Incra em Minas, não foi criada uma política para a implementação da reforma agrária. A atual direção não tem vontade e nem capacidade para fazer", acusou Daiana. O coordenador regional do MST, Vanderlei Martini, lembrou que uma das reivindicações do movimento é o assentamento de quatro mil famílias acampadas em Minas. "Algumas delas há mais de nove anos vivendo debaixo de lona."

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