Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Manifestantes distribuem placas em homenagem a Marielle no centro do Rio

Viúva e pais da vereadora assassinada, além dos deputados Marcelo Freixo e Jandira Feghali, participaram do ato

Wilson Tosta, O Estado de S.Paulo

14 de outubro de 2018 | 16h51

RIO - Um ato em homenagem à vereadora Marielle Franco (PSOL), morta a tiros em 14 de março com o motorista Anderson Gomes em crime até hoje não resolvido, distribuiu mil placas com o nome da parlamentar neste domingo, 14, na Cinelândia, no centro do Rio. Foi um protesto contra a destruição de uma tabuleta com o nome de Marielle, no mesmo local, por dois candidatos do PSL, no primeiro turno da campanha eleitoral. Houve protesto contra o presidenciável Jair Bolsonaro, do mesmo partido, e gritos de apoio a seu oponente, Fernando Haddad (PT) .

Sem aparelhagem de som, os ativistas fizeram coros de palavras de ordem, como "Não seremos interrompidas"; "Fascistas, fascistas não passarão!"; "Quem mexeu com Marielle atiçou o formigueiro", e "Os que quebraram a placa da Marielle quebraram a cara". Também formaram o nome "Marielle" com seus corpos para ser lido por quem estivesse em um ponto alto. No fim da manifestação, os ativistas receberam instruções para guardarem as placas em envelopes como memória, sem pendurá-las, e saírem em grupos, em segurança. "Vamos mostrar nas urnas que o amor sempre vence", disseram em coro.

A homenagem a Marielle com as tabuletas foi iniciativa do site 'Sensacionalista', que fez uma vaquinha virtual. O objetivo inicial era arrecadar R$ 2 mil para fazer cem placas. A meta foi atingida em 20 minutos, disseram os organizadores. A receita chegou a R$ 39.743, com 1.569 doadores -  pessoas físicas e jurídicas.  À manifestação, foram a viúva de Marielle, Mônica Benício, e os pais da vereadora, Marinete da Silva e Antonio Francisco da Silva Neto. Também participaram parlamentares, como os deputados Marcelo Freixo (estadual) e Jandira Feghali (federal).

A placa-homenagem original foi quebrada pelos então candidatos Rodrigo Amorim (a deputado estadual) e Daniel Oliveira (a deputado federal). Eles alegaram que a tabuleta fora instalada ilegalmente sobre a inscrição original - Praça Floriano (nome oficial da Cinelândia). Registraram o ato nas redes sociais, com imagens.

"Cumprindo nosso dever cívico, removemos a depredação e restauramos a placa em homenagem ao grande marechal", escreveu Amorim em sua página no Facebook. "Preparem-se, esquerdopatas: no que depender de nós, seus dias estão contados". Eles também exibiram a tabuleta destruída em ato em Petrópolis, na Região Serrana, da qual também participou o candidato a governador pelo PSC, Wilson Witzel. Ele alegou que estava quando a placa quebrada foi exibida. Afirmou que, como ex-juiz, defende a apuração do crime. Amorim e Oliveira foram eleitos.

Samba

O ato foi a segunda homenagem a Marielle em dois dias. Na véspera, a Estação Primeira de Mangueira escolheu o seu samba-enredo para o carnaval de 2019. O enredo "História para ninar gente grande", de autoria do carnavalesco Leandro Vieira, se propõe a contar a história do Brasil e citará a vereadora assassinada. O samba é de Deivid Domênico, Tomaz Miranda, Mama, Marcio Bola, Ronie Oliveira e Danilo Firmino. Em uma rede social, Tomaz celebrou a vitória na disputa, que teve mais dois concorrentes.

"Pela memória de Marielle e Anderson Gomes e toda a luta que ainda virá. São verde e rosa as multidões", escreveu, em referência às cores da Mangueira.

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