ALEX SILVA/ESTADAO
ALEX SILVA/ESTADAO

Manifestantes fazem ato na Paulista em defesa de Lula

A indicação do PT nacional é que cada diretório promova manifestações de solidariedade ao ex-presidente Lula, que foi condenado nesta quarta-feira, 12, a nove anos por Moro

Gilberto Amendola, O Estado de S.Paulo

12 de julho de 2017 | 17h29

Pouco depois de sair a condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, começou uma concentração de pessoas em apoio ao petista no vão livre do Masp, na Avenida Paulista. O ato contou com a presença de lideranças de esquerda, como o líder do MTST, Guilherme Boulos. Segundo a organização, 4 mil pessoas estiveram na manifestação em apoio a Lula, que terminou por volta de 20h. A Polícia Militar não fez estimativas de participantes.

A manifestação em solidariedade ao ex-presidente Lula chegou a ocupar as quatro faixas da avenida Paulista, sentido Consolação, por volta das 18h. Os reflexos no trânsito foram sentidos em toda a região. A polícia esteve presente, mas o clima foi de tranquilidade. Gritos em defesa de Lula e uma bateria estilo escola de samba esquentaram os manifestantes.

Em frente ao prédio da Fiesp, na Avenida Paulista, pequenos grupos remanescentes das duas manifestações (pró e contra o ex-presidente Lula) trocaram xingamentos e até empurrões. A polícia precisou intervir, mas não houve detidos. Por volta das 21h10, os grupos se dispersaram e a via foi liberada. A polícia continua no local.

Boulos afirmou que a manifestação de hoje foi espontânea, "mas que protestos maiores irão acontecer nos próximos dias, em todo o País". Para Boulos, o juiz Moro "atua muito mais como promotor do que como juiz". "Ele já perdeu toda a credibilidade. Está todo mundo vendo o que está acontecendo. O juiz está fazendo o jogo da política partidária", completou.

O presidente estadual do partido, Luiz Marinho, esteve no vão livre do Masp e disse "estranhar o cronômetro usado pelo juiz Sergio Moro". De acordo com Marinho, o juiz estaria "trabalhando" para beneficiar Michel Temer. Além disso, Marinho reafirmou que o candidato à presidência pelo PT será Luiz Inácio Lula da Silva - e que qualquer coisa fora disso deve ser considerado "golpe eleitoral".

A indicação do PT nacional é que cada diretório promova manifestações de solidariedade ao ex-presidente Lula. É de se estranhar que essa condenação aconteça agora, justamente no momento em que o foco está no afastamento de Michel Temer", diz Paulo Fiorilo, presidente do PT-SP. 

"Claro que a ideia é impedir o ex-presidente Lula de participar do processo político. Trata-se de um ataque à própria democracia. A luta está posta e vamos resistir", falou o deputado estadual Luiz Fernando Ferreira (PT).

Contra Lula. Com os atos já desmobilizados (pró e contra o ex-presidente Lula), pequenos focos de provocação se espalharam pela avenida. Em pelo menos três circunstâncias, manifestantes de um lado e de outro trocaram xingamentos. A polícia agiu rapidamente e não houve nenhum confronto físico.

Em oposição aos apoiadores do ex-presidente, um grupo de aproximadamente 100 pessoas se concentrou em frente ao prédio da Fiesp para comemorar a sentença do juiz Sergio Moro.

Vestindo verde e amarelo, os manifestantes bateram panelas para celebrar a condenação do ex-presidente. O ato foi organizado pelo Whatsapp por uma entidade chamada "Brasil Melhor". O Vem Pra Rua convocou ato pelas redes sociais, mas poucos compareceram. 

Corinthians. Em dia de clássico entre Corinthias e Palmeiras pelo Campeonato Brasileiro, o coletivo Democracia Corintiana decidiu participar do ato em Solidariedade ao presidente Lula, condenado na tarde desta quarta-feira pelo Juiz Sérgio Moro.

O coletivo, que tem como inspiração o movimento conhecido como Democracia Corintiana (e que teve entre seus líderes jogadores como Sócrates e Casagrande), conta com 1500 associados e tem participado constantemente de eventos ligados ao "fora Temer" e a defesa de Lula. " Nascemos com o propósito de defender a democracia. O que está acontecendo hoje é um ataque ao processo democrático brasileiro", diz o organizador do coletivo, Walter Falceta,  53. 

Sem esquecer do jogo dessa quarta, Falceta diz que no futebol o Corinthians irá enfrentar um adversário " que a gente respeita e reconhece como digno". Segundo ele, fora dos gramados "diferente do Palmeiras, o juiz Sergio Moro é um adversário que ninguém pode respeitar e que tem jogado sujo com Lula".

Segundo Falceta, a decisão de Moro precisa ser revertida e o placar do clássico de hoje será Corinthias 1 x 0. "Para a alegria do presidente", disse.

O jornalista José Trajano esteve na manifestação e diz enxergar com simpatia o movimentos torcidas organizadas na política. "Não é só o Corinthias. O Palmeiras tem um coletivo envolvido com política também. Acho interessante que todos os setores da sociedade se mobilizem".

São Bernardo. O clima em frente à residência do ex-presidente, em São Bernardo do Campo, era tranquilo até as 17h. Não haviam manifestantes reagindo à notícia da condenação pela Lava Jato, apenas representantes da imprensa e um grupo de sindicalistas da Central Única dos Trabalhadores (CUT), que fazia vigília. Motoristas e motoqueiros que passavam na avenida em frente ao prédio ocasionalmente buzinavam ou gritavam mensagens de protesto ou apoio à Lula.

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