MTST/Divulgação
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Manifestantes contra o impeachment bloqueiam Marginais e rodovias em SP

Movimentos sociais a favor da presidente afastada Dilma Rousseff fecharam vias em São Paulo, Fortaleza e Porto Alegre; quatro pessoas foram presas; MTST afirma de novas ações devem ocorrer ao longo do dia em diversas cidades

Priscila Mengue, Luciana Amaral e Lucas Azevedo, especial para o Estado, O Estado de S. Paulo

30 de agosto de 2016 | 07h06

Manifestantes contra o impeachment e o governo interino de Michel Temer atearam fogo em pneus e bloquearam o trânsito nas Marginais do Tietê e do Pinheiros por volta das 6h45 desta terça-feira, 30. A ação coordenada também ocorreu nas rodovias Raposo Tavares e Régis Bittencourt, na Ponte Eusébio Matoso, na Radial Leste e nas proximidades das avenidas Jacú Pêssego, Nove de Julho e Francisco Morato, além das cidades de Fortaleza (CE) e Porto Alegre (RS). O tráfego de veículos foi normalizado ao longo da manhã e, até as 11h, permanecia bloqueada apenas a Rua Padre José de Anchieta, em Santo Amaro, na zona sul da capital paulista. Todos os focos de incêndio já foram extintos e não há registro de feridos.

Ao menos quatros envolvidos nos protestos em São Paulo foram presos. Um deles foi encaminhado ao 13º Distrito Policial, na Avenida da Casa Verde, por dirigir um caminhão carregado com  pneus que seriam incendiados e utilizados para bloquear vias. A ocorrência ocorreu às 7h15, na Praça Campo de Bagatelle, no bairro Santana, na zona norte da cidade. Os demais estão no 11º Distrito Policial, em Santo Amaro. Em nota, a Polícia Militar afirmou que está "atenta aos protestos realizados contra o impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff" e que as "ocorrências estão em andamento nas delegacias", sem trazer mais detalhes sobre as acusações.

Os manifestantes escreverem "Fora Temer" e "Não vai ter golpe" no asfalto e criaram barricadas. As ações tiveram liderança de grupos sociais, dentre os quais o Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), que publicou imagens dos atos em perfis nas redes sociais. Em nota, a entidade afirmou que novos protestos ocorrerão ao longo do dia em outras cidades e que as ações são "expressão da resistência contra o golpe em curso no Brasil", que fere a "soberania do voto popular e os direitos sociais".

Porto Alegre.  Na capital gaúcha, um grupo de aproximadamente 50 pessoas liderado pelo MTST ocupou por cerca de uma hora a BR- 290 na entrada da cidade.

O protesto teve início por volta das 8h, quando manifestantes colocaram pneus na estrada e atearam fogo. O batalhão de choque da Brigada Militar foi acionado para liberar a rodovia, o que ocorreu pelas 9h30.

 A interrupção do tráfego gerou grande congestionamento no local, no km 90 da BR-290. Por volta das 10h30, o fluxo já retornava ao normal. Ninguém foi preso.

Impeachment no Senado. Nessa segunda-feira, 29, a presidente afastada Dilma Rousseff foi pessoalmente ao Senado se defender e responder a questionamentos de senadores. Ela tinha 30 minutos para fazer o discurso, mas acabou falando por quase 50. A fala foi marcada por colocações políticas, críticas a opositores , a reafirmação de não ter cometido crimes e o "risco de uma ruptura democrática" se sofrer o impeachment.

Ao citar conquistas sociais de suas gestões e de Lula, criticou duramente o governo interino de Michel Temer por defender privatizações e reformulações de programas. "O que está em jogo são as conquistas dos últimos 13 anos. (...) O que está em jogo é a auto-estima dos brasileiros", disse antes de pausar o discurso emocionada por alguns instantes.

Na etapa de questionamentos de senadores a Dilma, não houve tumultos nem discussões. O clima da sessão foi inclusive elogiada por Lewandowski.

Nesta terça, 30, cada senador terá 10 minutos para se manifestar na tribuna. Em seguida, o presidente do STF fará um relatório resumido dos argumentos da acusação e da defesa. Começará, então, o encaminhamento para a votação. Nesta fase, dois senadores favoráveis ao impeachment e dois contrários terão 5 minutos cada um para se manifestar.

Na votação não haverá orientação dos líderes das bancadas. Ela será aberta, nominal e realizada por meio de painel eletrônico. Para o afastamento definitivo da presidente, é necessário o voto de 54 senadores.

 

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