Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Manifestante ataca carro de reportagem do 'Estado' no Rio

Outros manifestantes e motoristas que passavam no local  viram a cena e se solidarizaram com a reportagem

O Estado de S. Paulo

04 de setembro de 2016 | 14h48

O carro de reportagem do Estado foi atacado por um manifestante durante protesto realizado ontem contra o governo Michel Temer (PMDB), em Copacabana, na zona sul. O veículo estava parado na Avenida Princesa Isabel, quando o engenheiro Rubem Ricardo Outeiro de Azevedo Lima, de 58 anos, se aproximou aos gritos de "jornal fascista" e "golpista". Ele passou a chutar o carro, amassando o porta-malas e a porta do motorista. O funcionário do Estado, de 65 anos, não foi ferido.

Outros manifestantes e motoristas que passavam no local  viram a cena e se solidarizaram. O agressor chegou a bater no vidro de pelo menos mais um veículo, intimidando os passageiros.  No carro do Estado, só estava o motorista do jornal. A equipe de reportagem acompanhava a manifestação, que seguia mais à frente, a caminho do Canecão, casa de show que pertence à UFRJ e está ocupada. 

A advogada Rosalina Maria Cláudio Pacífico, moradora de Copacabana que participava do protesto desde o início, disse ter presenciado o momento em que o manifestante atacou o carro do Estado. Segundo Rosalina, ele parecia "isolado" dos demais participantes do ato público. 

"A manifestação já estava se dispersando, na Avenida Princesa Isabel, quando um grupo resolveu seguir até o Canecão. As pessoas estavam andando devagar quando um senhor passou pelo carro do jornal, e chutou o carro. Um grupo de pessoas escutou o barulho. Eu disse para ele: 'você não devia ter feito isso, não pode vincular esse seu ato isolado ao nosso movimento, que é legítimo'. Ele respondeu 'o carro é do jornal, é do jornal' e saiu correndo", contou a advogada. "Outro casal também o repreendeu. Ele estava isolado, não estava acompanhado de outras pessoas. O casal disse que ele não podia agir daquela maneira. Temos o direito de protestar, mas é preciso respeitar as outras pessoas, quem está trabalhando", afirmou Rosalina. 

Outra testemunha, um motorista que estava no carro ao lado, disse que também se sentiu acuado pelo homem. "Ele se exaltou, chutou o carro, disse que o jornal era fascista. Não se pode ferir o patrimônio de ninguém. Eu estava dentro do meu carro, também me sentindo acuado porque manifestantes batiam na minha janela, na Avenida Princesa Isabel", disse a testemunha, que preferiu não ter o nome divulgado. "Fiquei indignado. Me pus no lugar do motorista do jornal. Ele está trabalhando, que tem a ver se o jornal falou de político A, B ou C?".

Azevedo Lima tentou fugir quando viu policiais militares, mas foi detido e levado para a 12ª Delegacia de Polícia (Copacabana), onde foi autuado por dano ao patrimônio. Em depoimento, ele disse que "vários manifestantes" cercaram o carro e reconheceu ter chutado as portas laterais e o porta-malas. Mas, que depois de se acalmar, "se arrependeu". Ele não quis dar entrevista. Azevedo Lima foi liberado e deverá se apresentar ao Juizado Especial Criminal, no Leblon, zona sul, em novembro.

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