Manifestações têm que ter limite, afirma ministro do Trabalho

Manifestações têm que ter limite, afirma ministro do Trabalho

Para Manoel Dias, pedidos por intervenção militar durante ato contra Dilma são 'contrassenso' e simbolizam desejo de uma minoria

ANA FERNANDES, Agência Estado

03 de novembro de 2014 | 13h45

São Paulo - O ministro do Trabalho, Manoel Dias (PDT), disse considerar as manifestações populares importantes para a democracia, contanto que tenham limites. "Não pode ultrapassar aquilo que é verbal, não podemos estimular ódio", afirmou nesta segunda-feira, 3, após participar de reunião com sindicalistas em São Paulo. Para o ministro, passado o momento eleitoral, é preciso retomar o diálogo entre governo e oposição e lembrar que Dilma Rousseff (PT) "não é presidente de um lado, mas da Nação inteira".

"É um momento ruim, porque pedir pelo regime militar é pedir para não se manifestar mais, é um contrassenso", disse o ministro sobre manifestações de rua em São Paulo, no fim de semana, que pediram o impeachment da presidente e a intervenção militar. Ainda assim, Dias ressalvou que a "maioria absoluta" da população brasileira está "tranquila" e respeita a decisão democrática das urnas. "As manifestações convocadas para sábado no Brasil não reuniram nem 5 mil pessoas, então foram muito pequenas", afirmou. Ele ainda disse que os protestos podem ter a ver com a "falta de politização". "Na hora que as pessoas pararem para raciocinar, vão ver que ditadura jamais."

O ministro disse ainda não considerar as manifestações um sintoma de rejeição da presidente. Ele exaltou conquistas do governo dela e do antecessor Luiz Inácio Lula da Silva, como inclusão social, aumento do poder de compra, pleno emprego e valorização de salários. "Ela (Dilma) foi eleita. A maioria da população brasileira a quis como presidenta da República e não quis só por ela, a quis pelos resultados do governo dela e do presidente Lula."

PDT. Durante discurso no evento, Manoel Dias colocou na condicional a participação do PDT no segundo mandato da presidente Dilma. Questionado pelos jornalistas, ele esclareceu que não estava se referindo a qualquer possibilidade de o partido não apoiar mais a petista. "A discussão não é essa. Estamos hoje no governo como resultado da eleição passada e agora é outra eleição", afirmou. "Não vamos pressionar por cargos ou condicionar nosso apoio. Vamos apoiá-la de forma irrevogável e incondicional através das nossas bancadas na Câmara e no Senado", completou.

Como havia adiantado ao Broadcast Político, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, na entrada do evento, Dias disse ser um "homem de partido" e afirmou que sua continuidade no cargo dependerá da conversa do PDT com a presidente. Segundo ele, na próxima semana deve haver reuniões da Executiva Nacional do PDT e das bancadas para discutir eventual participação no segundo mandato.

Representação no Congresso. Em seu discurso, o ministro lamentou a diminuição da representação sindical no Congresso Nacional, que, segundo ele, caiu mais de 40% desta para a próxima legislatura. "Como fica a pauta trabalhista?", questionou. Ele conclamou a plateia, de organizações sindicais, a fiscalizar os parlamentares e continuar lutando por melhorias nos direitos do trabalhador.

Dias defendeu a pauta trabalhista, falou contra as pressões capitalistas e contra a visão econômica "neoliberal". "Hoje tem um discurso neoliberal, que defende o Estado mínimo. Nós defendemos o Estado necessário", disse, defendendo o discurso da presidente Dilma Rousseff. "Falam que o Estado está inchado, pelo contrário. A começar pelo nosso ministério, que tem uma defasagem muito grande", afirmou.

Manoel Dias participou de uma cerimônia na sede da Força Sindical, em São Paulo, para entregar a certificação à Confederação Nacional dos Servidores Públicos.

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