Manifestações para aprovação de Ficha Limpa são intensificadas

Movimentos civis pretendem compensar ritmo lento do Congresso para protestarem em prol de aprovação da lei

Leandro Colon, de O Estado de S.Paulo

30 de abril de 2010 | 19h28

BRASÍLIA - Para compensar o ritmo lento do Congresso e a resistência dos parlamentares, os movimentos da sociedade civil a favor do projeto "ficha limpa" vão intensificar até terça-feira as manifestações pela aprovação da lei que impede a candidatura de políticos condenados pela Justiça. Além de caminhada e coletas de assinaturas previstas para cidades dos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Pará, até gravação de música em estúdio deve ser lançada. Terça-feira é o dia prometido pelos deputados para votar o projeto "ficha limpa".

 

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Ontem, o produtor musical Liminha recebeu de músicos brasileiros renomados a gravação que cada um fez da paródia que o jornalista Nelson Motta compôs em cima da melodia de "Cidade Maravilhosa". Foram convidados Fernanda Abreu, Frejat, Ivo Meirelles, entre outros."É hora de por pra fora nossa opinião/ bandido é pra cadeia/não é pro Congresso não/Ficha no lixo se lixa pra nós/suja a democracia/rouba do povo e compra eleição/ pra não ir para a prisão-ão-ão ", diz a música. Motta - autor de canções famosas como Dancin´ Days e Como Uma Onda - disse que optou por usar "Cidade Maravilhosa" como referência porque é uma música conhecida e fácil de lembrar. "Meu sonho é que todo mundo aprendesse a música da ficha limpa e toda vez que visse um 'ficha suja' cantasse isso na rua", disse ontem ao Estado. "É uma causa de uma pessoa decente, de qualquer partido", afirmou.

 

Mais de 1,6 milhão de assinaturas foram coletadas em todo o País pela aprovação do projeto. O Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral lidera em Brasília os grupos que trabalham pelo projeto "ficha limpa". Amanhã haverá recolhimento de novas adesões no Parque do Ibirapuera (SP), às 10h. No Rio de Janeiro, a manifestação está prevista, pela manhã, no Posto 9, em Ipanema, e na Praça da República, em frente ao Teatro da Paz.

 

O projeto está parado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), mas, sob pressão externa num ano eleitoral, os líderes partidários assinaram um pedido de urgência para que o texto seja analisado diretamente no plenário. São necessários os votos favoráveis de 257 deputados para a urgência ser aprovada. Depois, será votado o mérito da proposta. O mesmo número de votos tem de ser alcançado para a aprovação.

 

A proposta consenso entre os deputados torna inelegível por oito anos políticos condenados por decisão colegiada da Justiça - tomada por mais de um juiz. Cria-se, neste caso, o chamado "efeito suspensivo": o condenado poderá recorrer a instância superior, pedindo suspensão da inelegibilidade até a sentença final. Depois de votado na Câmara, o projeto precisa passar pelo Senado. Para valer nas eleições de outubro, a nova lei deve ser aprovada até julho.

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