José Patrício|Estadão
José Patrício|Estadão

Manifestação pró-impeachment em SP reúne mais policiais do que manifestantes

Segundo a organização, o insucesso do ato que pedia o afastamento da presidente Dilma Rousseff foi ocasionada por uma briga interna; expectativa era de 30 mil participantes

Gilberto Amendola, O Estado de S.Paulo

21 de março de 2016 | 20h48

Um evento marcado no Facebook do grupo Reaças SP para esta segunda-feira, 21, atingiu a marca de 30 mil confirmações na última sexta-feira. Criado no calor da nomeação do ex-presidente Lula para ministro chefe da Casa Civil, a ideia do ato era seguir em passeata do Largo da Batata, em Pinheiros, até a Ponte Estaiada, nas proximidades da Rede Globo - e chegar na porta da emissora no horário do Jornal Nacional.

A mobilização da internet e a expectativa de reunir pelo menos 10 mil pessoas deve ter convencido a própria Polícia Militar. Às 18h, na região do Largo da Batata, havia cerca de 12 viaturas e  10 motocicletas.

Mas o resultado ficou aquém do esperado. Antes das 19h, a reportagem contou cerca de 8 manifestantes, 4 jornalistas e 10 policiais (que estavam próximos ao grupo).

Segundo a organização, o insucesso da manifestação que pedia o impeachment da presidente Dilma Rousseff foi ocasionada por uma briga interna. A empresária Taís Azevedo, 32 anos, administradora da página Reaças SP afirmou que uma discussão dentro do próprio grupo fez com que uma agora ex-colaboradora deletasse o evento no Facebook. "Foi na sexta de manhã, a gente tinha mais de 30 mil confirmados. Até que uma garota, deliberadamente, uma ex-amiga, cancelou o nosso evento. Ela queria arrecadar dinheiro, arrumar patrocinador...Mas nós não aceitamos! Imagina o que são 30 mil pessoas recebendo a mensagem que a manifestação havia sido combinada...", diz Taís.

Os poucos que compareceram à manifestação traziam cartazes pedindo a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, atacavam os chamados "isentões" (dizendo que o inferno estaria cheio deles)  e as feministas. "Nosso grupo é anti-feministas e a favor do impeachment e de novas eleições", disse a manifestante Estefanny Papaiano, 33 anos.

Sobre novas eleições, os Reaças SP ainda estão divididos sobre quem apoiar. Uma chapa Bolsonaro e Caiado tem a preferência da turma. "A gente só discorda de quem seria a cabeça de chapa", diz Taís.

Perto das 19h, um sargento da PM pediu uma posição do grupo, já que o contingente esperado não tinha comparecido.

O grupo reaça decidiu desmobilizar-se no Largo da Batata. Parte decidiu se juntar aos manifestantes que ainda estão na Avenida Paulista; outros, queriam se manifestar na frente da PUC. "Qualquer coisa coloco tudo no meu carro e a gente vai protestar. Acho que cabe todo mundo", admite Taís.

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