Manifestação no Fórum do Rio lembra desabamento do Palace 2

Um bolo de quatro metros, que será cortado amanhã em frente ao fórum do Rio, vai marcar os quatro anos do desabamento do edifício Palace 2 e a batalha na Justiça de seus ex-moradores por indenizações. As famílias que perderam seus apartamentos aguardam que seja cumprido acordo firmado, em janeiro, com o deputado cassado Sérgio Naya, dono da Sersan, construtora do prédio, para receber, em média, R$ 250 mil. Naya tem até 25 de abril para pagar, caso contrário, poderá ter seus bens leiloados."Como ele já descumpriu decisões anteriores, a gente sempre fica na retaguarda. Mas agora, na pior das hipóteses, teremos de esperar mais alguns meses para recuperarmos nosso patrimônio. Já é uma grande vitória", disse Rauliete Guedes, presidente da associação de vítimas do Palace 2. O total das indenizações, por danos morais e materiais, chega a R$ 30 milhões. O dinheiro será distribuído por 120 famílias.O advogado da associação, Eduardo Lutz, disse que pedirá a liqüidação de bens de Naya, que estão bloqueados pela Justiça, caso o valor não seja pago em até três meses. O dono da Sersan não terá dificuldade em levantar o dinheiro - somente dois hotéis de sua propriedade em Brasília, o Saint Paul e o Saint Peter, valem R$ 50 milhões. Se atrasar o pagamento em até 30 dias, Naya terá de pagar multa de 5% e ainda 1% de juros (haverá acréscimo de 5% no valor da multa e 1% nos juros a cada mês). O deputado cassado já ofereceu um shopping em construção na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio (onde também se localizava o Palace 2), como garantia, para se chegar ao valor total do acordo. "Recusamos porque não somos corretores de imóveis. Ele que venda e deposite o dinheiro", afirmou Rauliete.Com a venda dos bens pelo liqüidante judicial, o dinheiro ficará depositado em juízo e será então disponibilizado aos ex-moradores. "Naya só poderá dispor do dinheiro depois de pagar a todo mundo. Os direitos dos moradores estão resguardados", afirmou Educardo Lutz. Os advogados de Naya afirmam que ele nunca se negou a pagar indenizações. "Ele apenas se recusou a pagar a exorbitância pedida, que chegava a R$ 400 milhões", disse Joaquim Flávio Spíndola quando foi assinado o acordo.Além da perda dos apartamentos e de tudo que havia neles, os moradores que tive seus parentes no desabamento têm outras ações contra Naya. Em quinze dias, poderá sair decisão sobre o caso de Bárbara Leão Martins, que perdeu a filha.

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