Ueslei Marcelino / REUTERS
Ueslei Marcelino / REUTERS

Manifestação em frente ao Palácio do Planalto tem princípio de tumulto

PM jogou spray de pimenta em manifestantes após um desentendimento entre duas pessoas

Julia Lindner, O Estado de S.Paulo

17 de maio de 2017 | 22h55

BRASÍLIA - Um grupo de cerca de 200 manifestantes se reuniu por volta das 22h30 desta quarta-feira, 17, em frente ao Palácio do Planalto para protestar contra o presidente Michel Temer. Alguns manifestantes erguiam bandeiras do PT e gritavam "fora, Temer". Um grupo de deputados da oposição, incluindo o petista Paulo Pimenta (RS), se juntou ao protesto.

O protesto começou após o jornal O Globo ter divulgado nesta quarta a notícia de que o dono da JBS, Joesley Batista, teria gravado Temer autorizando a "compra do silêncio" do deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso na Operação Lava Jato.

A segurança do Planalto foi reforçada pela Polícia Militar do Distrito Federal. São ao menos dez carros de polícia em frente ao edifício. No início do ato, os policiais impediram os manifestantes de se aproximar do Palácio, obrigando-os a permanecer do outro lado da rua.

Em determinado momento, a Polícia entrou, pela segunda vez, em confronto com manifestantes e jogou spray de pimenta para dispersar o grupo. A confusão teve início em uma briga entre dois manifestantes.

Entenda. Segundo o jornal O Globo, Joesley Batista e seu irmão Wesley Batista firmaram acordo de delação premiada com a Operação Lava Jato. A colaboração também inclui outros executivos da empresa, a maior produtora de carne do mundo.

Na gravação, Temer teria indicado a Joesley o deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) para resolver um assunto da J&F (holding que controla a JBS). Em nova gravação entregue aos procurados, o parlamentar foi filmado recebendo uma mala com R$ 500 mil que teria sido enviado por Joesley. Citado em gravação, Rocha Loures está em Nova York.

A conversa com Temer teria ocorrido no dia 7 de março deste ano, no Palácio do Jaburu, residência do presidente. No diálogo, Joesley teria dito ao peemedebista que estava pagando uma mesada a Cunha e a Lúcio Funaro, apontado como operador do ex-presidente da Câmara, também preso na Lava Jato. A intenção era que ambos ficassem em silêncio sobre irregularidades envolvendo aliados. “Tem que manter isso, viu?”, disse Temer a Joesley, segundo relatou O Globo.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.