ANDRÉ DUSEK|ESTADÃO
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Manifestação em Brasília tem tiros e duas pessoas presas

Segundo a polícia, um dos disparos em frente ao Congresso Nacional foi feito por homem que havia sido conduzido à delegacia com um revólver na semana passada; em confusão, deputado também foi atingido por spray de pimenta

Igor Gadelha, Daiene Cardoso e Daniel Carvalho, O Estado de S.Paulo

18 Novembro 2015 | 15h51

Atualizada às 19h57 

BRASÍLIA - O entorno do Congresso Nacional foi palco de manifestações que terminaram com tiros disparados, duas pessoas detidas e parlamentares atingidos por spray de pimenta, na tarde desta quarta-feira, 18, enquanto deputados e senadores analisavam os vetos presidenciais. Os incidentes levaram o presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), a ordenar que as polícias Federal e Militar façam revistas nas barracas de movimentos pró-impeachment instaladas no local, em busca de armas. Renan disse ainda que procurará novamente o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), para pedir que ordene a desocupação das manifestações.

A primeira confusão aconteceu durante a passagem da Marcha das Mulheres Negras pelo Congresso, quando integrantes do ato e manifestantes que pedem a intervenção militar no País acampados no gramado do canteiro central da Esplanada dos Ministérios entraram em confronto. Os intervencionistas acusaram os integrantes da marcha de destruírem barracas e o boneco inflável gigante do general Antonio Hamilton Martins Mourão, que foi afastado do Comando Militar do Sul após fazer críticas ao governo, instalado por eles no acampamento, enquanto membros da passeata acusaram um dos intervencionistas de atirar e ter atitudes racistas. Houve agressão física entre eles, mas ninguém se feriu gravemente.

De acordo com a Polícia Militar, o policial civil maranhense Marcelo Tadeu Penha Cardoso foi preso após disparar pelo menos quatro tiros para cima durante a confusão. A PM afirmou que Tadeu é o mesmo policial que havia sido conduzido do acampamento pró-intervenção militar à delegacia na semana passada, com uma pistola. Na quinta-feira à noite, um policial militar aposentado que também estava no acampamento pró-impeachment já tinha sido detido pela Polícia Civil, que encontrou uma pistola e outras armas brancas escondidas no veículo dele, como porretes, furadores de coco e spray de mostarda.

O major da PM Juliano Farias explicou que, para evitar o contato corporal com os manifestantes, policias militares tiveram de usar spray de pimenta para dispersar a confusão. O spray, contudo, também atingiu jornalistas e deputados que foram ao protesto para averiguar o que estava acontecendo, entre eles, o deputado Paulo Pimenta (PT-RS). O petista retornou à Câmara com olhos irritados e lacrimejando. Ele explicou que foi ao local da confusão por ser presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara. "Me pegaram por trás, não deu para ver nada", afirmou, antes de ser atendido no posto médico da Casa.

Quando finalmente a confusão entre os integrantes da Marcha e manifestantes que pedem a intervenção militar foi dispersada pela polícia, um novo incidente aconteceu no gramado em frente ao Senado. Um policial civil do Distrito Federal, cujo nome não foi divulgado, disparou pelo menos três tiros e foi detido pela PM. Logo após os disparos, integrantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT) desceram para o gramado e tentaram arrancar a faixa pedindo o impeachment da presidente Dilma Rousseff instalada por movimentos acampados no local há quase um mês, mas foram contidos pela polícia. Ontem, os integrantes da CUT montaram acampamento logo atrás das barracas pró-impeachment. 

Em nota, a Polícia Civil informou que o policial civil do Maranhão Marcelo Tadeu foi autuado em flagrante pelo crime de disparo de arma de fogo, mas pagou fiança de R$ 790 e foi liberado. A arma do policial foi apreendida. "A Corregedoria da Polícia Civil do MA será comunicada do fato para adotar as medidas pertinentes", informou. Já o policial civil do DF foi conduzido à Corregedoria da Policia Civil do Distrito Federal, que "está apurando o ocorrido". A Polícia Civil ressaltou que as duas detenções foram feitas por equipes distintas da PM do DF e não estão relacionadas.

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