Mangabeira vai à Câmara após críticas de 'falta de diálogo'

Cobrados por fim da secretaria, senadores reclamaram que não foram procurados por futuro ministro

03 de outubro de 2007 | 15h03

O futuro ministro extraordinário de Assuntos Estratégicos, Roberto Mangabeira Unger, participou nesta quarta-feira, 3, de um café da manhã, na Câmara dos Deputados, organizado pela Frente Ambientalista. A visita aconteceu um dia após Mangabeira receber críticas de falta de diálogo com parlamentares. Na semana passada, uma "rebelião" do PMDB - partido da base aliada - no Senado derrubou a medida provisória que criava a Secretaria de Ações de Longo Prazo sob o seu comando e provocou um "susto" no Planalto.  Veja também: Brasil não tem estratégia nacional de defesa, diz MangabeiraLula acerta ponteiros com PMDB, mas caciques têm novas reivindicaçõesLula criará por decreto ministério para Mangabeira UngerLula dá 'pito' em senadores que votaram contra governo Na conversa com os deputados na primeira aparição pública após o fim da secretaria, Mangabeira não quis comentar se a extinção da pasta atrapalhou seu trabalho. "Minha função é ajudar a formatar e discutir uma proposta que atenda ao desejo mais forte do País: elaborar um modelo de desenvolvimento baseado na ampliação do crescimento econômico e da inclusão social", desconversou. A saída que o governo estuda para a secretaria de Mangabeira é criar por decreto o Ministério Extraordinário de Assuntos Estratégicos.  Em reunião do Conselho Político na última terça-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou os peemedebistas pela derrota e ouviu do líder do PMDB no Senado, Valdir Raupp (RO), a queixa de que Mangabeira não procurou conversar com os senadores e reclamou ainda da falta de explicações sobre a criação da secretaria por parte do governo.  Lula aproveitou a reunião para enquadrar o PMDB e acalmar os ânimos dos "rebelados". No entanto, os peemedebistas, em jantar após reunião com Lula na última terça-feira, deixaram claro que o "racha" dentro do partido continua e definiram mais cobranças por cargos.  Estratégia de defesa Na Câmara, Mangabeira afirmou ter constatado que "não há estratégia de desenvolvimento nacional sem estratégia nacional de defesa". "Nós não temos no Brasil uma estratégia nacional de defesa, não temos uma prática de discussão civil e nacional dos nossos problemas militares", afirmou.  Mangabeira disse que está trabalhando com o ministro da Defesa, Nelson Jobim, e com as Forças Armadas na formulação de uma estratégia para a ação das Forças Armadas numa série de hipóteses concretas de paz e de guerra. Além disso, eles estudam a reorganização das Forças Armadas, com "vanguarda tecnológica e operacional", baseada em capacitações nacionais Economia  O futuro ministro extraordinário afirmou que a economia brasileira está sob ameaça de ficar imprensada entre as economias de trabalho barato, como a China e Índia, e aquelas de alta produtividade. Ele disse que o interesse do País é "escapar da prensa" pelo lado alto, ou seja, da valorização do trabalho e da escalada de produtividade. "Não queremos escapar pelo lado baixo, de aviltamento do trabalho."  Para Mangabeira, o principal problema do País não é nem político nem econômico. "O Brasil é um grande caldeirão que fervilha. A característica mais saliente do País é sua vitalidade. Mas o nosso problema nacional mais importante não é nem político e nem econômico. É nossa disposição para obedecer, para aceitar o formulado, o que nos impõe ou recomendam de fora. Audácia e imaginação. Disposição para revelar-se. É o que eu quero ver instalado no Brasil", disse.  Amazônia Mangabeira afirmou ainda que o potencial energético da Amazônia é "imenso", apesar dos declives da região. Ele disse, no entanto, que o assunto precisa ser estudado pelo governo e lembrou das disputas entre os engenheiros e o meio ambiente sobre o assunto. "Quando colocada essa discussão, eu garanto que os engenheiros acabarão ganhando", afirmou.  Para ele, o desafio é encontrar um modelo que permita atender às demandas energéticas e respeite os compromissos ambientais. A autorização para construção de usinas e barragens, disse, não deve considerar apenas a ocupação física.  Divergências O deputado Sarney Filho (PV-MA), coordenador da frente, afirmou, após o encontro, que as idéias do ministro são as mesmas defendidas pelos ambientalistas: zoneamento ecológico e econômico para a região, além do uso sustentável da floresta.  Mas o deputado disse que há divergências quanto ao modelo de desenvolvimento sustentável defendido pelo ministro. "Ele tem a visão de que o mundo vai continuar como está, com o mesmo padrão de consumo. Mas ele não considera os efeitos do aquecimento e que o padrão de desenvolvimento está falido", disse. Sarney Filho disse que o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, foi precitado ao dizer que o plantio de cana-de-açúcar na Amazônia será permitido em áreas degradadas ou devastadas. Segundo ele, o temor dos ambientalistas é que a cana pressione as áreas de soja, que pressionará a pecuária. "A pecuária vai pressionar a floresta", disse.  (Com Fabíola Salvador, do Estadão)Texto ampliado às 15h32

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