Mangabeira defende pluralidade

O ministro-chefe da Secretaria de Planejamento de Longo Prazo, Roberto Mangabeira Unger, deu ontem um claro sinal para a comunidade de pesquisadores afirmando que vai respeitar a diversidade de opiniões dentro do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Mangabeira - que no primeiro mandato de Lula tachou o governo de "o mais corrupto da história" e chegou a sugerir o impeachment do presidente - afirmou, durante a solenidade de posse do novo presidente da instituição, Márcio Pochmann, que a pluralidade das pesquisas será preservada. A transferência do Ipea para a subordinação do novo ministério de Mangabeira preocupou os pesquisadores da instituição, que temeram uma tentativa de enquadrá-los sob uma visão governista. Depois de sua posse, em 19 de junho, o novo ministro ainda não tinha feito um pronunciamento que desfizesse essa impressão. "O pluralismo precisa ser aprofundado. Não se trata de ameaçá-lo, mas de fortalecê-lo. De torná-lo mais real pela multiplicação das competências e dos pontos de vista. Pelo aguçamento da dialética entre nós", disse. "O Ipea precisa encontrar sua vocação republicana. Não de servir a um consenso, mas de organizar o dissenso de que precisa o País." Pochmann também disse que não há risco de procurar tutelar as pesquisas do Ipea conforme os interesses do governo.

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