'Maneira de ajudar é fazer uma boa gestão', diz João da Costa

Prefeito eleito de Recife defendeu o nome da ministra Dilma como candidata à sucessão presidencial

Angela Lacerda, de O Estado de S. Paulo

31 de dezembro de 2008 | 19h35

Eleito no primeiro turno sob a bandeira da continuidade administrativa e com o apoio decisivo do prefeito João Paulo (PT), o novo prefeito do Recife, João da Costa (PT), acredita que a melhor maneira de contribuir com o sucesso do seu partido na sucessão do presidente Lula é fazer uma gestão que seja referência nacional.  Nesta entrevista ao Estado, ele defendeu o nome da ministra Dilma Rousseff como candidata à sucessão presidencial pelo seu comprometimento "explícito" com Pernambuco e o Nordeste. E destacou que qualquer que venha a ser o próximo presidente da República, a região deve ser prioridade dentro de um projeto de reestruturação econômica do País que tenha foco no crescimento de mercado interno e na redistribuição de renda. Estado - Que papel o sr., como prefeito, pretende desempenhar para influenciar em 2010? João da Costa - A melhor maneira de ajudar é continuar o trabalho exitoso do prefeito João Paulo na cidade do Recife e fazer uma boa gestão, que seja referência para o PT. Entre as capitais eleitas pelo partido, Recife é talvez a de maior referência política e, de certa forma, seremos referência para o trabalho de gestão local que o PT vai realizar nos próximos dois anos. Minha principal contribuição é fazer com que o governo trabalhe unido, que a gente mostre que pode reunir uma grande frente (a coligação que o elegeu inclui 16 partidos) e trabalhar com eficiência. Estado - Quais as metas para estes dois anos? João da Costa - Do ponto de vista social e de infra-estrutura, consolidar as obras do PAC nas áreas de saneamento e habitação. Neste aspecto, vamos nos empenhar para avançar na consolidação da Via Mangue, uma via expressa ligando o centro à zona Sul. Do ponto de vista de políticas sociais, trabalhar para melhorar qualidade da saúde pública, da educação - com prioridade para educação infantil, de zero a quatro anos - e da assistência social, especialmente com prioridade aos idosos. Estado - Pernambuco foi muito beneficiado pelo governo Lula. É importante a vitória da ministra Dilma Rousseff para que essa política se mantenha? João da Costa - Pernambuco vem recebendo com justiça o que nos foi negado durante décadas. Nossa tarefa é buscar eleger um governo com a mesma percepção que o governo Lula sobre a capacidade de Pernambuco se estruturar economicamente. Tenho certeza que a ministra Dilma pensa assim. Seria muito interessante se for ela a representante do nosso campo político. Estado - A ministra seria o melhor nome para o Nordeste? João da Costa - Dentro do projeto de reestruturação econômica do País, com crescimento de mercado interno e redistribuição de renda, qualquer projeto que trabalhe com essa política tem que dar prioridade para o Nordeste. É aqui onde está a maior pobreza do País, a maior concentração de renda e aqui também tem um grande potencial de crescimento. A gente viu que com os programas sociais que trouxeram renda para o Nordeste, o crescimento da economia da região sempre foi acima do crescimento nacional. Do ponto de vista estratégico do País é fundamental que essa política continue seja quem for o presidente. Mas temos que reconhecer que quem teve a coragem nos anos recentes de implementar essa política foi Lula e quem tem esse compromisso explicitamente colocado é a ministra Dilma Roussef. Estado - Como avalia o fato de a ministra não possuir carisma e apelo popular? João da Costa - A eleição do sucessor do presidente Lula pode guardar semelhanças com a eleição do Recife. (Secretário municipal do Orçamento Participativo na administração João Paulo, João da Costa teve seu nome praticamente imposto pelo prefeito e não gozava da mesma popularidade).A população não vai julgar apenas se o candidato é um outro Lula ou não, ela vai julgar se as políticas públicas, se o projeto político implementado pelo presidente Lula devem acontecer e continuar acontecendo no País. A população vai julgar quem mais se identifica com esse projeto e tenho convicção de que o candidato que defender a continuidade desse projeto terá ampla aceitação da sociedade e possibilidade grande de se eleger. Além de contar com o apoio do presidente Lula, que certamente irá contribuir decisivamente para o resultado do processo.

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