Mandante da chacina de Felisburgo tem prisão decretada

A Justiça mineira determinou, sob aplauso de centenas de pessoas que estavam no plenário do II Tribunal do Júri do Fórum Lafayette, a prisão preventiva do fazendeiro Adriano Chafik Luedy, acusado de ser o mandante da segunda maior chacina de sem-terra ocorrida no País. Além dele, tiveram a prisão decretada Francisco de Assis Rodrigues de Oliveira, Milton Francisco de Souza e Washington Agostinho da Silva, todos acusados de participarem do assassinato de cinco integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocorrido em 20 de novembro de 2004 em Felisburgo, no Vale do Jequitinhonha (MG).

MARCELO PORTELA, Agência Estado

21 de agosto de 2013 | 15h09

Além de mandar prender os réus, o juiz Glauco Soares concordou com o adiamento do julgamento dos acusados, que deveria ocorrer nesta quarta-feira, 21, para outubro. Mas determinou que sejam oficiadas as seções mineira e baiana da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para que sejam apuradas as condutas dos advogados dos réus. No caso de Chafik, o advogado Sérgio Habib teve um câncer diagnosticado no ano passado e aposentou-se por invalidez permanente da Defensoria Pública da União, mas aceitou assumir a causa em julho passado.

Já o advogado Fabiano José da Silva Flório alegou que só foi contratado para atuar em um pedido de habeas corpus no Superior Tribunal de Justiça (STJ), apesar de ter atuado também no processo. "Não resta outra conclusão a não ser a de que se consubstancia aqui uma tentativa por parte dos acusados e da defesa técnica de postergar o julgamento indefinidamente. Trata-se de ato que gera tropeço e tumulto e que não são admitidos em hipótese alguma pelo ordenamento jurídico", afirmou Glauco Soares.

Os três réus que estavam no plenário do I Tribunal do Júri do Fórum Lafayette, em Belo Horizonte, já deixaram o local presos. Washington, apesar de ter sido intimado, não compareceu e é considerado foragido. O advogado Lúcio Adolfo da Silva - que representou também o goleiro Bruno Fernandes, condenado pelo sequestro e assassinato da ex-amante Eliza Samudio - assumiu a defesa de Chafik na sessão desta quarta-feira, mas afirmou que ainda não sabe se continuará no caso. Porém, já adiantou, assim como Fabiano Florio, que a defesa entrará com pedido de habeas corpus para os acusados.

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