Maluf pode ter desviado US$ 120 milhões, diz promotor de NY

O ex-prefeito de São Paulo e deputado Paulo Maluf (PP), que foi indiciado em Nova York por suspeita de desvio de recursos na construção da avenida Roberto Marinho - antiga Água Espraiada -, pode ter arrecadado US$ 120 milhões em propinas, disse o procurador-geral de Nova York, Robert Morgenthau, nesta terça-feira, 10. Maluf nega.Um júri popular de Nova York indiciou Maluf e quatro outras pessoas por suspeita de roubo e conspiração em março, seguindo uma investigação liderada pelo escritório de Morgenthau com a cooperação de autoridades brasileiras. O Ministério Público paulista, que investiga Maluf, forneceu ao procurador-geral de Nova York documentos que podem reforçar evidências de envolvimento do ex-prefeito em esquema de propinas. Em dezembro, o promotor da Cidadania de São Paulo Silvio Marques, algoz de Maluf, municiou os Estados Unidos com dados relativos à Água Espraiada e ao Túnel Airton Senna, polêmicos empreendimentos da administração malufista. Marques foi ouvido como testemunha no júri de Manhattan.Morgenthau disse à Reuters em entrevista que o projeto da antiga avenida Água Espraiada deveria custar US$ 200 milhões, mas acabou custando US$ 600 milhões, em grande parte por meios ilegais."Acusamos Maluf de passar US$ 11,5 milhões por aqui (Nova York) porque temos todas as notas e tudo. Podemos provar que isso tudo foram propinas nesse contrato. Acreditamos que ele roubou US$ 120 milhões desse projeto", disse Morgenthau.Silvio Marques calcula que o rombo é maior. ?Empreiteiras emitiram o equivalente a US$ 195 milhões em notas frias.?O indiciamento alega que o dinheiro foi transferido para um banco de Nova York e então para outra conta em Jersey. Um mandado de prisão foi emitido, mas a lei brasileira impede a extradição de cidadãos brasileiros aos Estados Unidos. Não está claro se a ação judicial em Nova York pode levar a um processo contra Maluf no Brasil, embora o promotor tenha dito que as autoridades brasileiras indiciaram mais de 80 pessoas no Brasil com base nas informações dadas por ele.Morgenthau disse que seu escritório adquiriu ordens judiciais autorizando-o a entregar notas da investigação do júri para autoridades brasileiras. As deliberações do júri normalmente são mantidas em sigilo. ´Perseguição política´No Brasil, um assessor de imprensa de Maluf disse que o caso é resultado de perseguição política e que o ex-prefeito nunca teve uma conta bancária em Nova York. ?Paulo Maluf deixou a Prefeitura de São Paulo em 31 de dezembro de 1996 e teve suas contas aprovadas com louvor pelo Tribunal de Contas?, informou a assessoria do deputado, rebatendo acusação de desvio. Maluf há tempos é acusado de corrupção e passou um breve período preso na Polícia Federal em São Paulo, em 2005, acusado de lavagem de dinheiro. Ele foi o deputado federal de São Paulo eleito em 2006 com o maior número de votos, e passou a ter foro privilegiado no processo que responde, junto com membros de sua família, por crimes de lavagem de dinheiro e remessa ilegal de divisas ao exterior. Em um dos processos, Maluf até já foi condenado definitivamente a repor ao Tesouro municipal o valor que teria gasto irregularmente no período em que foi prefeito de São Paulo pela última vez (1993-1996).Este texto foi alterado no dia 11 de abril, às 13h58.

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