Maluf ligou para paraíso fiscal, diz vereadora

O ex-prefeito Paulo Maluf (PPB) fez ?inúmeras ligações telefônicas? para o paraíso fiscal da Ilha de Jersey, no Canal da Mancha. A informação foi divulgada nesta sexta-feira pela vereadora Ana Martins (PC do B), presidente da CPI da Dívida Pública na Câmara Municipal. Segundo a vereadora, os contatos foram feitos por telefone fixo e celular durante o ano de 2000.Ana suspeita que as ligações para Jersey, seguidas de outras chamadas para instituições financeiras nos Estados Unidos, podem revelar ?o empenho e a preocupação de Maluf em transferir os ativos depositados na ilha?.A identificação de ligações para Jersey conflita com a versão que Maluf vem apresentando publicamente. Diversas vezes ele afirmou que ?jamais telefonou? para a ilha. Também disse que não possui recursos depositados em bancos de Jersey ou ?em qualquer paraíso fiscal do planeta?.Na noite de quinta-feira, a vereadora e técnicos que a assessoram examinaram documentos obtidos pelo Ministério Público de São Paulo a partir da quebra do sigilo telefônico e bancário do pepebista. Durante quase duas horas, Ana conversou com promotores de Justiça que investigam a existência de aplicações financeiras no paraíso fiscal do Canal da Mancha em nome de Maluf e de familiares dele. Documento enviado pelo Bundesant Für Polizeiwsen ? polícia de inteligência financeira da Suíça ? ao governo brasileiro revela que em janeiro de 1997, Maluf transferiu valores de uma conta no Citibank de Genebra para o Citibank de Jersey. Segundo a presidente da CPI, também foram identificadas ligações do ex-prefeito para o Salomon Smithe Barnes, grande banco de investimentos em Nova York. Foram seis telefonemas, três por meio de linha fixa e três por celular. O rastreamento telefônico alcança linhas da mulher de Maluf, Sylvia, dos quatro filhos (Flávio, Otávio, Lina e Ligia) e de uma nora, Jacquelline.Os registros indicam chamadas feitas por ?uma das filhas ou pela nora? para o Citibank de Genebra. ?Foram várias ligações?, disse a vereadora. Ela não precisou as datas e a duração dos telefonemas. Reafirmou que Flávio Maluf, filho mais velho do ex-prefeito, fez ligações para o escritório de advocacia Schellenberg Wittmer, com sede em Genebra.O levantamento aponta telefonemas de Maluf e de seus familiares para cerca de 50 países, a partir de janeiro de 1993 ? data da posse do pepebista na Prefeitura.O Salomon Smithe Barnes é uma instituição especiliazada em constituição de fundos para aplicação em países do Terceiro Mundo em transações que envolvem negócios com títulos públicos. ?O senhor Maluf não deve ter ligado para o banco americano para tratar de assuntos da Eucatex?, supõe Ana Martins. ?Afinal, ele não é dirigente do grupo.?A vereadora disse que a Eucatex, presidida pelo empresário Flávio Maluf, ?não distribui lucros há seis anos?. Ela sustenta que ?o balanço do grupo empresarial da família não confere com a evolução patrimonial pessoal do senhor Maluf?, a quem ela chamou de ?espertalhão?.

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