Maluf diz que dinheiro em Paris é para as compras de sua mulher

O ex-prefeito Paulo Maluf foi interpelado hoje em Paris pelas autoridades do Serviço Central para a Repressão Financeira de Nanterre, tendo permanecido detido, segundo os policiais, durante quase sete horas para explicar os depósitos feitos numa conta aberta em nome de sua mulher, Silvia Maluf, na agência George V do banco Crédit Agrícole, no valor de 1,738 milhão de euros. A interpelação ocorreu porque o gerente do estabelecimento, Jean Marc Boygue, comunicou as autoridades de controle financeiro francesas, segundo determina a lei sempre que as transferências superam uma certa quantia. Ao chegar ao Hotel Plaza Athenée, após prestar depoimento, jornalistas perguntaram a Maluf porque ele tinha necessidade de ter tanto dinheiro depositado numa única conta em Paris. Ele explicou que sua mulher costuma "fazer umas compras" e que além do mais o casal se hospeda no Plaza Athenée (um dos cinco hotéis palácios de Paris), e no Hotel de Paris, em Mônaco, para onde pretendia seguir ainda nesta quinta. O ex-governador foi conduzido, acompanhado de sua mulher, até a sede desse Serviço Central para a Repressão Financeira, onde passou praticamente todo o dia explicando as operações efetuadas. Maluf, entretanto, desmente essa versão policial. Maluf disse que prestou depoimento por vontade própria, atendendo a um pedido do gerente do banco, Jean Marc Boygue. Ele disse não perdoar esse gerente que, segundo ele, agiu mal e não respeitou as regras bancárias. "Se fosse o presidente do Crédit Agrícole colocaria esse gerente na rua", disse. BlackbirdSem ser muito claro, o ex-prefeito considera que caiu numa cilada, ao aceitar o convite do diretor da agência para lá voltar hoje, onde o esperavam os agentes da policia financeira. Na verdade, o gerente é obrigado a cumprir a legislação francesa, hoje muito restritiva, e que obriga a todos os banco comunicar transações financeiras mais elevadas. Segundo fontes francesas, as transações financeiras efetuadas por Paulo Maluf na Europa já vinham sendo investigadas pelo próprio Tracfin, Tratamento de informações e ação contra circuitos financeiros clandestinos. Foi o seu diretor na França, Richard Atlan, quem conduziu o depoimento prestado por Paulo Maluf. Não está afastada a possibilidade dele voltar a ser ouvido, dependendo das investigações que terão prosseguimento nos próximos dias.Em relação a origem do dinheiro, Maluf disse que 1,3 milhão de euros vieram da Suíça, da Fundação Blackbird, dirigida por seu filho Flavio Maluf, através da qual ele trata de problemas da herança familiar. Os demais 438 mil euros, segundo ele, são produto da venda de terrenos de herança de família, na rua Vergueiro, números 235 e 247, em São Paulo. O dinheiro, segundo Paulo Maluf, foi transferido regularmente com autorização do Banco Central, tudo facilmente explicável. A venda ocorreu em janeiro deste ano e seu valor foi de R$ 8 milhões. "Uma parte permaneceu no Brasil e outra veio legalmente para cá", afirmou. Ele voltou a desmentir que tenha conta na Suíça. ?É mais uma mentira?, disse.

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