Maluf desafia: quem achar conta dele no exterior fica com o dinheiro

Ainda não foi desta vez que Paulo Maluf deu o braço a torcer. No mesmo dia em que a imprensa informou que a Suíça enviou as provas das contas do ex-prefeito para o Brasil, e que há registro de um depósito, em um único dia, de US$ 154 milhões em uma delas,ele deu entrevista em São José do Rio Preto, negando tudo e até lançando um desafio. ?Vou mandar providenciar num cartório em São Paulo uma escritura pública de cessão de direitos?, anunciou ele, com aquela voz metálica, sempre no mesmo tom, embora um pouco mais tenso que o habitual. ?Tanto não tenho contas (no Exterior), que vou passar uma escritura; o primeiro que encontrar a conta, o dinheiro é dele. O primeiro que encontrar algum dinheiro na minha conta ou na conta da minha mulher, o dinheiro é dele.? A despeito das evidências mostradas pela farta documentação enviada pelas autoridades suíças, Maluf repetiu o discurso que tem adotado desde que as primeiras acusações surgiram. Ele desafiou os promotores a mostrarem saldos nas contas. ?Tem de mostrar o saldo?, repetia mecanicamente. Segundo as investigações, as contas foram fechadas e o dinheiro foi transferido para outros destinos, ainda desconhecidos. Quando os jornalistas lhe perguntaram sobre as assinaturas constantes dos cartões de autógrafos enviados pelos bancos suíços, o ex-prefeito desconversou.Ele reconheceu claramente apenas que as assinaturas usadas como comparação ? as de declaração de bens entregue à Justiça Eleitoral ? eram dele. Quanto às dos cartões de autógrafos suíços, extraordinariamente semelhantes, apenas admitiu, sem muita convicção, que podiam ser dele: ?As outras, pode ser que sejam minhas.? Ao fim, insinuou que a denúncia faz parte da estratégia de adversários políticos. ?Primeiro lugar nas pesquisas é fogo. Eles pensam muito em você?, observou, numa referência à suposta preferência do eleitorado por seu nome para a sucessão da prefeita Marta Suplicy.

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