Maluf critica divulgação do sigilo telefônico de sua filha

O ex-prefeito Paulo Maluf protestou hoje, em Indaiatuba, contra o que chamou de "perseguição" a sua família na investigação sobre depósitos em seu nome o no de seus parentes no paraíso fiscal da Ilha de Jersey. Ele definiu como "crime" a divulgação à imprensa do resultado da quebra do sigilo telefônico de sua filha Lígia. "A abertura do sigilo foi feita mediante segredo de Justiça", argumentou.De acordo com o Ministério Público, a quebra do sigilo permitiu identificar 15 ligações, de uma linha telefônica no nome de Lígia, para o Citibank de Genebra, na Suíça, entre abril de 1994 e março de 1996, totalizando 332 minutos. Maluf não negou nem confirmou os telefonemas, insistiu que seus adversários políticos estão usando sua família como palco. "Minha mulher é uma santa", alegou.O ex-prefeito disse que a perseguição aos seus parentes lembra "métodos nazistas de Adolf Hitler". Acrescentou que o Estado e a vereadora Ana Martins devem-lhe explicações sobre a acusação de que ele teria feito dezenas de ligações para Suíça. "Quero saber os dias, os números de telefone e quanto tempo duraram as ligações", desafiou.CandidatoMaluf esteve em quatro cidades do interior percorrendo prefeituras, câmaras municipais e meios de comunicação. Segundo sua assessoria, desde o início da peregrinação pelo interior de São Paulo, no segundo semestre deste ano, o ex-prefeito já percorreu perto de 100 cidades e pretende visitar todo o interior antes das eleições do ano que vem.O político reconheceu que poderá optar por ser candidato ao governo do Estado de São Paulo, onde tem se saído melhor nas pesquisas de intenção de votos. "Eleições pressupõem duas coisas, programa de governo, que eu tenho, e coligações para ampliar o tempo na tevê. Em São Paulo, tenho 60 deputados. Não preciso mais que isso. Esses fatores podem influir na decisão. Mas temos até abril para decidir", comentou.SegurançaO candidato disse que ainda é cedo prever como a oposição se comportará nas eleições presidenciais, no que se refere a coligações, porque o cenário tem mudado com constância. Maluf antecipou que a questão da segurança pública deverá ser um dos pontos fortes de sua proposta de governo."Segurança é um gostoso desafio. Não adianta ter emprego, energia elétrica, saúde pública, escola boa. Isso tudo é importante, mas perde a importância se não tiver o direito constitucional de sair de casa", disse o ex-prefeito. Questionado sobre a possibilidade de apoiar algum dos já pré-candidatos à eleição presidencial no segundo turno, Maluf respondeu: "No meu julgamento parcial e humilde, quem teria as melhores condições seria Paulo Maluf".A decisão do Supremo Tribunal de Justiça (STJ), que manteve a decisão anterior de anular o contrato de risco entre a Paulipetro e a Petrobras para exploração de petróleo na Bacia do Paraná, Maluf preferiu não se manifestar. Alegou que seus advogados estão cuidando do caso.

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