Maluf concentra ataques em Serra e Alckmin

O ex-prefeito Paulo Maluf (PP) abriu o ciclo Eleições 2004 - Candidatos no Estadão garantindo que não precisava falar mal de ninguém. ?Mas vou citar fatos?, avisou. E os ?fatos? que se seguiram se transformaram em uma enxurrada de críticas ao seu adversário José Serra (PSDB) e em menor escala ao governador Geraldo Alckmin, que ganhou do pepebista ?nota 10 como pessoa física e zero pela greve dos funcionários do Judiciário?.Já nos primeiros quatro minutos, Maluf foi buscar ?fatos? dentro de um envelope de cor parda. De lá saiu um xerox de uma entrevista do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ao Estado, concedida no mês de fevereiro, quando Serra ainda não havia decidido se disputaria a eleição. ?O bom candidato é aquele que quer se candidatar e o Serra não quer ser candidato, leu Maluf para a platéia, com sua inconfundível voz nasalada. ?Quem fala isso não sou eu é o Fernando Henrique?.Depois recorreu às quatro derrotas sofridas nas urnas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para escorregar da pergunta sobre sua queda nas pesquisas de intenção de voto que, no momento, o colocam fora do segundo turno. ?Se o Lula tivesse medo de perder eleição ele estava em casa?, disse. ?E eu vou reverter o resultado das pesquisas?. Lula foi avaliado por Maluf como ?um bom presidente? e seu ministério ganhou nota 8,0 ou 8,5, contra 6,0 que o candidato deu para a ex-equipe do tucano Fernando Henrique.Garantindo que não usará a Prefeitura como trampolim político, caso seja eleito, Maluf chamou Serra de ?aventureiro? e disse que o tucano não conhece a cidade. ?E ele mente ao apresentar no horário eleitoral hospitais como obras dele?, criticou o candidato para, em seguida, soltar seu bordão. ?Os hospitais todos são projetos de Paulo Maluf?.Após negar a existência de um acordo entre ele e o PT para atacar Serra e preservar a prefeita e candidata à reeleição Marta Suplicy, Maluf acusou o governador Alckmin de gastar R$ 1 milhão por dia em propaganda para ?promover o Serra?; criticou a falta de segurança que tem causado o seqüestro de crianças, a greve dos funcionários do poder Judiciário e as 121 escolas de lata mantidas pelo governo estadual. ?Criticam a Marta por ter escolas de lata, mas é o roto falando do rasgado?, disse em defesa da petista.À platéia ensinou a ?fórmula? para realizar as 32 obras viárias que ele promete a seus eleitores e ainda cumprir outra promessa, a de acabar com as taxas de lixo, iluminação e a do motoboy. ?Basta diminuir a despesa e aumentar a receita?. Por falar em promessas, o candidato disse que, se eleito, enquadrará a Prefeitura na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) até maio. Sobre o fato de a prefeita não estar cumprindo a LRF, Maluf disse apenas que ela deve fechar o ano gastando mais do que arrecadando.Novamente criticou Serra por defender um novo indexador para a dívida da Prefeitura, que classifica de ?impagável?, e acusou o tucano de plágio. ?Eu já falo isso há anos. Alguém tem que chegar para o Palocci (ministro da Fazenda, Antonio Palocci) e pedir para repactuar a dívida ou não dá para pagar?, afirmou.Embora negue o acordo com o PT, Maluf diminuiu muito o tom das críticas à Marta Suplicy. Ele garantiu que a petista, que já o chamou de ?nefasto?, tem muitas qualidades. Mas fez questão de deixar claro que é melhor que a adversária. ?Ela fez boas coisas?, avaliou, citando alguns programas, entre eles o Bilhete Único. ?Ela tem personalidade e bate o pé?. Maluf deixou a platéia morta de curiosidade ao ser perguntado sobre qual seria o principal defeito de Marta. Ele fez mistério, se recusou a falar, mas deu a entender que o defeito seria de ordem pessoal e não administrativa.O ex-prefeito voltou a fazer um monte de promessas como ajudar o governo do Estado a construir o Rodoanel e novas estações do Metrô; respeitar os camelôs; acabar com os moradores de rua; demitir quem não trabalha; pôr a Rota na rua e insistiu na criação do novo PAS, o programa de saúde que ele até mostra o cartão do usuário durante o horário eleitoral. Segundo Maluf, a volta do programa dará direito até aos mais caros hospitais de São Paulo como Albert Einstein e o Sírio-Libanês. ?A pessoa vai para o Einstein ou para o Sírio e a prefeitura paga de acordo com o convênio que mantém com o hospital?, prometeu.Sobre as acusações de manter contas na Suíça, o candidato voltou a negar a existência. Criticou os promotores que municiam a imprensa com acusações contra ele e reclamou por não ter acesso aos documentos do Ministério Público suíço que comprovariam a existência do dinheiro em seu nome e no de seus familiares.Ao ser lembrado, após a sabatina, de que havia assinado documento ao depôr no Ministério Público, no qual tomou ciência das informações enviadas pela Suíça, Maluf disse que responderia somente amanhã. ?Ela esqueceu que tenho idade para ser pai dela?, disse Maluf à repórter que o fez perder a paciência.Brincando com a platéia, Maluf se definiu como um ?animal em extinção? e explicou o motivo. ?Moro há 40 anos na mesma casa, estou casado com a mesma mulher há 46 anos e no mesmo partido há 37 anos?. No dia 3 de outubro, porém, os eleitores vão decidir se o malufismo também se enquadra na definição do candidato.

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