Maluf admite que seu apoio a Marta embaraça os malufistas

O candidato derrotado do PP à Prefeitura de São Paulo, Paulo Maluf, oficializou seu apoio à reeleição de Marta Suplicy (PT), em entrevista coletiva concedida em seu escritório político. O anúncio teve uma gafe constrangedora. Quando Maluf respondia perguntas para defender o voto em Marta, seu candidato a vice na chapa, Salim Curiati Júnior, o interrompeu e disse que, para responder melhor as perguntas, deveria colar em seu peito um adesivo da campanha petista com a imagem da prefeita. "Não coloco", disse Maluf.Depois, ao ser indagado por jornalistas, se sentia constrangido em colar o adesivo, respondeu: "Isso não tem nenhum constrangimento."Maluf jurou, "pela luz que estou vendo", que não se encontrou com nenhum petista para negociar o apoio à prefeita e negou qualquer contato com ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu; com o relator da CPI do Banestado, deputado José Mentor (PT-SP), ou com o senador Aloizio Mercadante.Maluf foi agressivo ao ser perguntado se já havia ocorrido o encontro para "tomar um vinho" com Mercadante. Maluf nega que tenha feito acordo com o PT para defender Marta na eleição. "Ainda não tomei, mas, se ele quiser, com prazer, sem problema nenhum. Ele entra na minha casa, se quiser, ou num restaurante público", afirmou. O convite foi feito por Maluf durante debate realizado no primeiro turno. Enfatizou ainda que sua escolha ocorreu pelo fato de que o governo do PSDB na Presidência República prejudicou o País, e que, com a eleição de Marta, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva passa a ter a obrigação moral de ajudar São Paulo."Se a Marta liga para o Palácio do Planalto, ele (Lula) eu sei que atende. Se for o Serra (a telefonar), não sei (se atende)", opinou, ao acrescentar que, "se for convidado por Marta" a participar de atos públicos de campanha, "vai pensar".Maluf garantiu também que permanecerá na vida pública e que vai participar das eleições de 2006, quando serão escolhidos o presidente da República, governadores, senadores, deputados federais e deputados estaduais. "Tem muitas pessoas que diziam que Getúlio (Vargas) estava acabado. E ele voltou para presidente da República. Muitos diziam que Jânio (Quadros) estava acabado e ele voltou e foi prefeito, ganhando do Fernando Henrique Cardoso. A vida pública só se encerra quando Deus encerra e, enquanto Deus não encerra, estou na vida pública e nas próximas eleições", comentou. Mas esquivou-se em dizer se disputará cargos para o Executivo ou o Legislativo.O ex-prefeito admitiu que sua adesão à candidatura de Marta traz embaraços aos eleitores malufistas, mas reiterou o apoio à petista: "Os meus eleitores, se forem ver os últimos 20 anos de disputa, vão ter alguma dificuldade, mas só há nesse momento três opções: Serra, Marta ou branco. Com minha responsabilidade, declaro em alto e bom som, que eles foram meus adversários, mas como só restam essas opções, acho que o melhor para São Paulo é o voto em Marta", argumentou.

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