Maluf acusa procurador-geral de ingerência na Câmara

Procurador-geral da República sofre acusação depois de pedir retirada da pauta de votações de projeto de lei

Gustavo Porto, de O Estado de S. Paulo,

08 de abril de 2010 | 17h44

O deputado federal Paulo Maluf (PP) acusou o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, de ingerência na Câmara dos Deputados por ter pedido, em reunião desta quarta-feira, dia 7,  com o presidente Michel Temer (PMDB-SP), a retirada da pauta de votações do projeto de lei. 265/2007. Batizada de "Lei da Mordaça" ou de "Lei Maluf", o projeto, de autoria do deputado do PP, prevê a criminalização de membros do Ministério Público que agirem por suposta má-fé, com intenção de promoção pessoal ou visando perseguição política.

 

"Eu aprovei ele ter ido falar com o presidente da Câmara, mas pedir para tirar o projeto da pauta é, na minha visão, uma ingerência indevida. Ele pode pedir para qualquer um votar contra; agora, pedir para não votar é confissão de culpa", disse Maluf, que está hoje Ribeirão Preto (SP), juntamente com o deputado federal Celso Russomanno (PP-SP), pré-candidato ao governo paulista, para encontros políticos.

 

Maluf reafirmou que o projeto - para o qual defende o batismo de "Lei Maluf" - não impedirá o trabalho do Ministério Público, mas evitará o interesse político e perseguições por parte dos promotores. "Promotor público que tem medo da Justiça é porque está com o rabo preso e quem vai determinar o grau de perseguição política ou não é o juiz.", avaliou Maluf.

 

O deputado fez ainda várias críticas a ações recentes do Ministério Público contra políticos, entre elas a que pede a cassação do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), por irregularidades eleitorais e a que apura irregularidades na Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo (Bancoop), que já foi comandada pelo tesoureiro do PT, João Vaccari Neto. "Pode um promotor querer cassar um prefeito que teve 4 milhões de votos ou mesmo outro querer reviver um caso requentado como o do Bancoop?", indagou Maluf.

 

As críticas de Maluf atingiram ainda o promotor distrital de Nova York Robert Morgenthau, que o acusou de usar bancos da cidade norte-americana em um suposto esquema de desvio de dinheiro, o qual incluía passagens por contas nas Ilhas Jersey, antes de chegar ao caixa da Eucatex, empresa da família Maluf.

 

Por conta da ação de Morgenthau e com a ajuda de promotores brasileiros, a Interpol incluiu o deputado e o filho dele, Flávio Maluf, na lista de procurados em 188 países signatários da organização policial no mundo todo. "Aqui não é Iraque e Afeganistão que eles invadem. Se querem me ouvir, façam uma carta rogatória que vou dar declarações à Justiça brasileira, mas não vou a Nova York", disse Maluf, para reafirmar que processa o promotor norte-americano.

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