Wilton Junior/Estadão
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Malta tenta cantar na tribuna e é interrompido por Lewandowski

Clássico da dupla gaúcha Kleiton e Kledir, 'Deu pra Ti', é entoado pelo senador cearense, que, apesar da descontração, disse que 'este não é um momento feliz para ninguém'

Julia Lindner e Rachel Gamarski, O Estado de S.Paulo

30 de agosto de 2016 | 20h55

BRASÍLIA - O senador Magno Malta (PR-CE) tentou fazer graça na tribuna do Senado, nesta terça-feira, mas foi interrompido pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski. Malta disse que lamentava o "velório" da presidente afastada Dilma Rousseff e começou a cantarolar uma música da dupla Kleiton e Kledir. "Deu para ti, baixo astral, eu vou para Porto Alegre, tchau", entoou. A residência da presidente afastada fica na capital gaúcha.

Em seu discurso, que durou pouco mais de dez minutos, Malta afirmou que os senadores não acusam Dilma de ter recebido dinheiro de maneira indevida ou de ter desviado verbas, e sim por ter assinado decretos sem a autorização do Congresso. "Dilma não está sendo julgada por crime penal, e sim por irresponsabilidade fiscal", declarou. O senador citou o discurso do advogado de defesa, José Eduardo Cardozo, que reiterou que Dilma nunca pediu dinheiro para si ou seus familiares.

Durante a sua fala, o senador, que é conhecido pelo seu humor peculiar, provocou gargalhadas entre os governistas que acompanhavam o discurso. Nem mesmo a advogada da acusação, Janaína Paschoal, conseguiu conter o riso. Apesar da cantoria, Malta afirmou que "este não é um momento feliz para ninguém". Ele criticou a presidente afastada pela eleição de 2014, em que se reelegeu, e disse que a sua vitória permitiu que "lambanças feitas no escuro pudessem vir à luz".

Ele citou o Projeto de Lei Complementar número 5, de 2015, e declarou que foi uma forma do governo Dilma "limpar a cena do crime" dos decretos de crédito suplementar. Segundo Malta, ele perguntou a Dilma ontem sobre o porquê do PLN 5 para que ela fizesse um mea culpa, o que não aconteceu. O senador também criticou o governo petista. "Me perguntaram se eu não tinha medo de ficar marcado na história como golpista. Podem me chamar de golpista, só não me chamem de ladrão. As pedaladas fiscais não foram feitas por amor aos pobres, e sim para tapar o rombo do BNDES", acusou.

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