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Claudia Trevisan/Estadão
Claudia Trevisan/Estadão

Malfeitos vêm do governo Lula, diz Fernando Henrique

Em Nova York para falar com empresários, ex-presidente defende investigações de casos de corrupção para o País 'saber a verdade'

Cláudia Trevisan, enviada especial, e Altamiro Silva Jr., correspondente, O Estado de S. Paulo

13 de maio de 2015 | 14h41

Nova York - O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse nesta quarta-feira, 13, em Nova York que os atuais casos de corrupção no Brasil têm origem no governo de Luiz Inácio Lula da Silva e defendeu o aprofundamento das investigações em andamento para que o País saiba "a verdade" sobre "quem é responsável pelo quê".

"Esses malfeitos vêm de outro governo, isso tem que deixar bem claro. Vêm do governo Lula, começou aí", declarou, depois de participar de seminário com empresários e investidores ao lado do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. O ex-presidente fez a afirmação depois de dizer que o impeachment não pode ser discutido em abstrato e depende da comprovação de vínculo entre o governante e irregularidades. "Impeachment não é uma questão que se deseja, acontece. E quando é que ele acontece? Quando o povo não aguenta mais e quando há uma ligação concreta entre quem está ocupando o poder e o malfeito", afirmou.

No discurso aos empresários, FHC apresentou uma visão otimista do Brasil e ressaltou que não se deve temer crises "eventuais" ou "conjunturais". Em sua avaliação, o país se aproxima de um "entendimento" que pode levar à sua "regeneração".

"Nós temos certa capacidade de negociação, de chegar um certo momento e dizer 'Não dá. Basta. Nós somos todos brasileiros, vamos nos entender.' Nós estamos chegando a um momento próximo a isso no Brasil."

Mas o tucano ressaltou que há condições a serem cumpridas para que isso seja possível. Entre elas, incluiu o aprofundamento das investigações de corrupção e a descoberta "da verdade" sobre os envolvidos. "O país não pode ficar na dúvida sobre quem é responsável pelo quê", afirmou. "Vai chegar o momento em que o Brasil vai quer saber a verdade, o que aconteceu mesmo."

O ex-presidente também defendeu a reforma do sistema político, o estabelecimento de consenso sobre medidas para que o País volte a crescer e o respeito às regras democráticas.

"Não estou pensando em pactuar com o governo. É preciso que o País se regenere. Não é um acordo da cúpula. É uma mudança da atitude do Brasil", disse quando questionado se a defesa de entendimento não significa compactuar com o governo. "Quanto ao fato de eles tentarem me desconstituir durante 12 anos, agora eles têm de morder a língua", acrescentou, em referência às críticas do PT à suposta herança maldita recebida dos tucanos.

Ressaltando que o PSDB continuará a ser oposição, o ex-presidente observou que "não se constrói um país jogando pedra, como o PT fez, mas colocando tijolo em cima de tijolo". Em sua opinião, é necessário "desarmar os espíritos" e criar "um momento novo" no Brasil. "Quando nós tivermos condições de um entendimento que seja não seja um conchavo, mas a expressão de um novo Brasil, acho que será o momento de uma nova arrancada."

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