Malária em Parati põe autoridades em alerta

A confirmação de cinco casos de malária em Parati, no Sul Fluminense, colocou em alerta as autoridades de saúde, que estão fazendo um bloqueio sanitário na região para evitar que a doença se alastre. Três das pessoas foram picadas pelo mosquito Anopheles, transmissor do protozoário Plasmodium vivax, causador da malária, na Praia do Sono - uma das mais visitadas da cidade. Os especialistas se dividem quanto à possibilidade de uma epidemia no Estado.Quem levou a doença até Parati foi um argentino que teria contraído a doença na Venezuela, informou a Vigilância Sanitária do município. Os registros começaram nas últimas três semanas. Desde então, foram picados pelo Anopheles (conhecido como mosquito-prego) três moradores da Praia do Sono - que são os únicos casos autóctones, ou seja, não importados de outras regiões - e um pedreiro de Angra dos Reis que trabalhou em Parati. Num minilaboratório montado próximo ao local, a prefeitura realizou o exame da gota espessa, que detecta a presença do protozoário na corrente sangüínea, em 70 dos cerca de 120 moradores da localidade (em sua maioria, pescadores). Eles foram testados depois de terem febre, um dos sintomas da malária. A praia fica a 30 quilômetros do centro de Parati. Só é possível chegar até lá de barco ou através de uma trilha - o que, para a prefeitura, dificultará a propagação da doença.CombateAgentes de saúde borrifaram inseticida nas ruas para matar os mosquitos. "Estamos quebrando o ciclo da doença. Há uma semana não registramos qualquer caso novo", disse o coordenador da Vigilância Sanitária de Parati, Flávio Moutinho. Técnicos da Secretaria de Estado de Saúde já inspecionaram 300 casas.Panfletos e cartazes estão sendo confeccionados para afastar aos visitantes da Praia do Sono - cuja beleza selvagem atrai, principalmente, jovens que gostam de acampar. No entanto, o prefeito José Cláudio de Araújo (PMDB), afirmou que os turistas não têm o que temer. "Todas as medidas já foram tomadas. Todos podem ficar tranqüilos", garantiu.As pessoas que contraíram a malária já estão sendo medicadas e apresentam "estado razoável", segundo a prefeitura. O pedreiro Dorival dos Santos, de 39 anos, que vive em Angra dos Reis, está internado num hospital da cidade e foi isolado pelos médicos. Ele inspira cuidados. A secretaria de saúde de Parati já entrou em contato com os municípios pelos quais o turista argentino passou, como Ubatuba (SP), Botucatu (SP) e algumas cidades fluminenses, para avisar do problema.EpidemiaO presidente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Paulo Buss, não acredita numa epidemia de malária no Rio, já que o vetor não é urbano. Buss disse que, nos últimos dez anos, já ocorreram casos esporádicos do tipo de malária registrado em Parati (provocada pelo Plasmodium vivax, o que mais circula pelo País), que é menos agressivo. Ele acha também que os médicos estão preparados para diagnosticar o mal.Já infectologista Edmilson Migowski, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), acha que o risco de uma epidemia existe, mas ainda é pequeno. "Não podemos ser negligentes. Agora pode parecer exagero, mas, se adotarmos medidas de prevenção, não haverá efeito adverso nunca", afirmou Migowski. Ele defende a manutenção de barreiras sanitárias em Parati - isolamento de doentes e pulverização de inseticida - e uso de repelentes pela população.A Fundação Nacional de Saúde (Funasa) informou que tem um Plano de Intensificação das Ações de Controle da Malária, que é aplicado em 254 municípios da Amazônia Legal, onde anualmente são registrados 600.000 casos de malária por ano. O plano age junto com os Estados e os municípios, para controlar da doença. O último caso autóctone verificado no Estado havia ocorrido também na Região Sul, em 1998, em Cachoeiras do Macacu.

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