Malária chega à Região dos Lagos no RJ

Depois de atingir o Sul do Estado, a malária chegou à Região dos Lagos, elevando o número de casos da doença no Rio para seis. O município de Cabo Frio confirmou que o funcionário público Willians Martins Barreto, de 33 anos, foi contaminado em Colinder, no Mato Grosso, onde esteve há mais de um mês. O secretário de Saúde de Cabo Frio, Roberto Pillar, disse que agentes da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) chegarão à cidade na segunda-feira para providenciar um bloqueio sanitário.A Secretaria de Saúde já está realizando exames de sangue nos moradores que vivem num raio de 500 metros da casa de Barreto, no bairro Jardim Flamboyant, próximo ao centro da cidade. A coordenadora da Saúde Pública do município, Sandra Maria Browne, não acredita que a doença vá se propagar na região. "Estamos conversando com os moradores, sabendo se eles desenvolveram algum sintoma. Mas não temos o mosquito (Anopheles) em Cabo Frio, somente em zonas de mata", disse a médica. Localizada a 154 quilômetros da capital, Cabo Frio é procurada pelos turistas por suas praias.O funcionário público só começou a ser medicado quinze dias depois de começar a manifestar os sintomas. Segundo a coordenadora da Saúde Pública, os médicos que assistiram Barreto acharam que ele estava com dengue, já que ambas doenças provocam febre, dor-de-cabeça, prostração e náuseas. "A diferença básica é que a febre da dengue é intermitente e a da malária se manifesta de 48 em 48 horas. Além disso, a dengue provoca dor no fundo do olho, enquanto a malária causa sudorese e calafrios", explicou Sandra.Depois que um exame feito num laboratório da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) confirmou a presença do protozoário Plasmodium na corrente sangüínea de Barreto, ele passou a tomar os antimaláricos Cloroquina e Primaquina. O tempo de incubação do protozoário - durante o qual ele não manifesta os sintomas da malária - é de quinze dias a um ano. No caso de Barreto, a malária foi descoberta mais de um mês depois de ele ter estado no Mato Grosso.ProcuraA Superintendência da Polícia Federal no Rio de Janeiro informou que acionou a Delegacia de Polícia Marítima Aeroportuária e de Fronteiras a fim de verificar qual é a situação do argentino Frederico Nicolas Warman, de 28 anos, que, segundo as autoridades de saúde, levou a malária a Parati, no Sul do Estado. A PF recebeu uma comunicação da Coordenadoria Regional da Funasa no Rio informando do problema envolvendo Warman. Ele estaria ilegalmente no Brasil.Segundo a Funasa, o argentino, andarilho adepto de trilhas por matas - habitat natural do Anopheles -, se contaminou na Venezuela e começou a passar mal quando esteve em Ubatuba (SP). Ele visitou posteriormente a Praia do Sono, em Parati, onde teria provocado a contaminação de outras quatro pessoas (três moradores da localidade e um pedreiro de Angra dos Reis que trabalhava lá).Ainda de acordo com a Funasa, o argentino vem recusando o tratamento com remédios (quando isso acontece, o protozoário pode permanecer vivo no organismo da pessoa por até três anos, o que aumenta o risco de propagação da malária). No momento, o andarilho - que viaja acompanhado da mulher, uma brasileira - está na região de Visconde de Mauá.Na Praia do Sono, continuam as medidas preventivas contra a malária. Técnicos da Funasa e da prefeitura estão espalhando inseticida para matar os mosquitos e utilizam biolarvicidas para exterminar as larvas. A preocupação agora é com os macacos da região. Se eles forem picados pelo vetor, poderão se transformar em hospedeiros permanentes do protozoário.ExamesO prefeito de Parati, José Cláudio Araújo (PMDB), está orientando os agentes de saúde a fazer exames de sangue nos turistas que chegam à Praia do Sono, a fim de verificar se eles estão infectados. A Funasa informou, através de nota oficial, que os casos registrados no Rio não configuram uma "situação inédita do ponto de vista da vigilância epidemiológica, que detecta e trata rapidamente estes eventos." A nota informa ainda que as medidas de combate implantadas esta semana em Parati levam ao rompimento da cadeia de transmissão da doença e evitam sua disseminação. Os números da Funasa dão conta de 70 casos registrados na cidade, mas importados de outras regiões, no ano de 2001. Em 2000, foram 72. O último caso autóctone no Rio é de 1999.

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