Malan pede auto-estima à população

O ministro da Fazenda, Pedro Malan, defendeu a necessidade de a população ter ?um mínimo de auto-estima? e confiança no futuro do País. Embora não tenha citado nomes, voltou a criticar o presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva. "Outro dia, ouvi um importante candidato dizendo: ´Eu conserto o País´", afirmou, durante uma palestra proferida no 18.° Encontro Nacional de Juízes Federais, em Campos do Jordão, no Vale do Paraíba (SP). "É um engodo achar que alguém resolve todos os problemas em uma administração", disse o ministro, que nega ser pré-candidato a presidente.Dizendo, com ironia, que está "fora de moda" defender o governo federal, o ministro disse que insistiria nessa tarefa. Malan apresentou os mesmos dados que têm sido usados pelo presidente Fernando Henrique Cardoso em defesa dos investimentos na área social. "Nenhum governo na história desse País destinou 65% dos recursos de custeio e investimento do Orçamento para saúde, educação e reforma agrária, como nós fizemos", observou.Malan explicou, para uma platéia de cerca de 300 juízes federais, que os recursos disponíveis não são suficientes para atender às inúmeras demandas do Brasil. "Não há alternativa, senão fazer escolhas." O ministro argumentou que, para atender às demandas, hoje, não é mais possível recorrer a aumento de impostos e do endividamento público, ou trazer de volta a inflação.Na opinião de Malan, o grande desafio econômico e político é a busca, por todas as instâncias de poder, de eficiência e qualidade. "Há muito desperdício, comissões, fraudes e pedágios", criticou. "Isso exige um esforço dos três poderes e de toda a sociedade."Se, no início da semana, foi a vez de Fernando Henrique criticar o morosidade do Judiciário, no que diz respeito à tomada de decisões, ao ministro da Fazenda coube fazer um afago. Malan defendeu a aproximação entre o Executivo e o Judiciário, e manifestou a confiança de os juízes "olharem o País e seu futuro". O ministro lembrou que o filho mais velho dele é advogado. "Acho que, para mim, faltou quem me orientasse a seguir a carreira do Direito, que é a mais promissora", disse.Para o presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil, Flávio Dino, o discurso do ministro não foi autoritário, na medida que reconheceu a necessidade de diálogo entre os poderes. "O que, para nós, não muda, porém, são as críticas em relação à política econômica e em relação à necessidade de restrição de gastos e à severa restrição fiscal", afirmou. "É negativo para o Judiciário, prejudica a nós e ao cidadão."

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