Malan defende ações sociais do governo FHC

O agora ex-ministro da Fazenda Pedro Malan assumiu o papel de defensor do governo Fernando Henrique Cardoso durante seu discurso na solenidade em que transmitiu o cargo ao novo titular, Antonio Palocci Filho. "Não é verdade que a preocupação do social começa agora", afirmou. Ele disse que estão saindo agora estudos mostrando os avanços promovidos pelo governo Fernando Henrique. "Os indicadores sociais mostram enormes avanços feitos e que serão consolidados agora. Todo analista de boa fé que se debruçar sobre os números há de concluir isso", frisou. Ele também se disse honrado e orgulhoso por ter servido ao País durante o governo Fernando Henrique a quem, acredita, "a História fará justiça quando o País recuperar o senso de perspectiva que hoje parece faltar a alguns." Na visão de Malan, o Brasil é um país em construção, e esse processo se apóia em quatro pilares: os regimes básicos da economia (fiscal, monetário e cambial), os avanços político-institucionais, administrativos e jurídicos, o crescimento sustentado e a melhoria das condições de vida da maioria da população. Esse último ponto, avaliou o ex-ministro, é o fundamental e a razão de ser dos primeiros três. Ele explicou que o governo Fernando Henrique avançou nesse processo e disse esperar que Lula avance ainda mais.Em sua última fala como ministro, Malan negou-se a fazer um balanço dos oito anos em que esteve à frente do Ministério da Fazenda e evitou polemizar diretamente com os integrantes do governo Luiz Inácio Lula da Silva. "Não faço comentário sobre discursos recentes", disse, sem se referir claramente ao discurso de Palocci, na semana passada, em que ele fez duras críticas à situação em que o novo governo recebeu a economia. Os comentários de Palocci trouxeram tensão ao clima até então cordial da transição. Antes de prender na lapela de Palocci o broche com o símbolo do Ministério da Fazenda, Malan lembrou o momento em que o recebeu das mãos do então ministro Ciro Gomes e desejou sucesso ao novo governo, fazendo votos que Lula, ao final do mandato, entregue ao seu sucessor um País melhor do que encontrou. Isso foi, na sua avaliação, o que fez o presidente Fernando Henrique Cardoso. Ele comentou que o novo governo centra seu discurso em duas palavras: mudança e esperança. "Ninguém em sã consciência pode ser contra as duas coisas, muito pelo contrário", disse. Mas, avaliou ele, essas duas idéias têm de ser perseguidas observando duas coisas: que a mudança seja para melhor e que sejam preservadas as conquistas já empreendidas pela sociedade. "O Brasil mudou, está mudando, vai continuar a mudar", disse. Malan ressaltou que, em 2002, a economia brasileira enfrentou quatro problemas: um contexto internacional adverso que continuará em 2003, preocupações "exageradas" com relação ao balanço de pagamentos, dúvidas quanto à sustentabilidade da dívida pública e as incertezas geradas pelo processo eleitoral. O debate mostrou, porém, que há pontos na política econômica que não estão mais sujeitos ao debate político e ideológico: a responsabilidade fiscal, o controle da inflação e o respeito a contratos. Segundo ele, o clima cordial com que ocorreu a transição contribuiu para a redução gradual das incertezas e tanto Fernando Henrique como os candidatos agiram como estadistas ao longo do processo. A transição, acredita Malan, é motivo de orgulho para os brasileiros e de admiração por todo o mundo. Ele elogiou "a sensatez, o equilíbrio e o profissionalismo" com que agiu o ministro Antônio Palocci, coordenador-geral da transição.Veja o índice de notícias sobre o Governo Lula-Os primeiros 100 dias e a área econômicaVeja o índice de notícias sobre a transição na área econômica

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