Malafaia se encontra com Campos e diz que pernambucano quer a Presidência

Pastor, que apoiou José Serra em 2010, teve reunião reservada com líder do PSB em hotel no Rio

LUCIANA NUNES LEAL, Agência Estado

09 Abril 2013 | 18h29

RIO - Presidente da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, o pastor Silas Malafaia revelou nesta terça-feira, 9, que o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, com quem conversou na tarde de sábado passado, afirmou estar decidido a disputar a Presidência da República. Segundo Malafaia, Campos disse não aceitar interferências em seu partido, o PSB.

"O governador Eduardo Campos disse: ''eu vou ser candidato a presidente da República e ninguém vai dizer o que meu partido deve ou não deve fazer, se deve ou não deve ter candidato''. Disse em alto e bom som", contou o pastor em entrevista por telefone.

A pressão para a saída do pastor Marco Feliciano (PSC-SP) da presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara foi um dos assuntos tratados no encontro reservado, em um hotel da Barra da Tijuca (zona oeste). Segundo Malafaia, Campos disse não concordar com as ideias de Feliciano e que não votaria no deputado, acusado de racismo e homofobia, mas reconheceu que o parlamentar foi eleito "pelo povo e pelo colegiado". "Ele foi sincero, disse que é contra o Marco Feliciano, que está do outro lado, mas que o direito vale para todo mundo", afirmou Silas Malafaia.

Apresentador do programa de TV Vitória em Cristo e acostumado às brigas públicas com movimentos pela legalização do aborto e de defesa do casamento gay, Silas Malafaia apoiou o tucano José Serra nas eleições presidenciais de 2010. Nesta terça, elogiou Eduardo Campos, com quem conversou pela primeira vez, mas não se comprometeu em apoiar o socialista. "Ainda estamos cedo nesse processo", justificou. "O que eu tenho dito e repeti para o governador é que o PT radicaliza de tal forma que acaba levando os evangélicos a ficarem contra ele. Com José Genoino e João Paulo Cunha (deputados condenados no processo do mensalão) na Comissão de Constituição e Justiça, que moral tem o PT para falar de Feliciano na Comissão de Direitos Humanos?", questionou o líder evangélico.

Malafaia se mostrou satisfeito com a posição de Eduardo Campos contra o controle externo da mídia, cobrado pelo comando nacional do PT. "Ele disse que regulação de conteúdo é muito perigosa. Deixei claro que nós evangélicos estamos muito preocupados de cercearem nossa pregação, que defendo a liberdade de imprensa até para falarem mal de mim". Segundo o líder evangélico, temas como casamento gay e aborto não foram tocados. "Foi o primeiro encontro. Não vou impor uma agenda a ele, eu quis mais ouvir do que falar", resumiu.

Segundo Malafaia, o governador "acha que a inflação seis vezes maior que o crescimento do PIB é uma bomba relógio ligada". "Ele disse que não quer o caos no Brasil, que não trafega na torcida contra. Afirmou que muitas coisas boas estão sendo feitas, mas que ele pode fazer muito mais. É um cara preparado e não se apresenta como o Jesus Cristo, salvador da nação", disse o pastor. Os "municípios de pires na mão" e a "pior seca dos últimos anos no Nordeste" foram outros assuntos tratados, afirmou o líder evangélico.

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