Mal-estar com Rosinha marca posse de Cabral

Um certo mal-estar entre o governador empossado Sérgio Cabral Filho (PMDB)e a ex-governadora Rosinha Garotinho (PMDB), além de palavras de ordem gritadas por algumas pessoas contra a secretária de Assistência Social e Direitos Humanos, Benedita da Silva, marcaram a solenidade de transmissão do governo do Estado no jardim de inverno do Palácio Guanabara, sede do executivo fluminense. Em seu discurso de despedida, Rosinha afirmou ter encaminhado à Assembléia Legislativa, ao Tribunal de Contas, ao Ministério Público e ao Tribunal de Justiça, relatório comprovando que deixou em caixa mais de R$ 600 milhões para o sucessor e o conclamou a resistir a pressões dos grupos que, segundo ela, pensam mais em si do que no povo. "As elites precisam pouco do governo", disse ela. Em sua resposta, em tom quase irônico, Cabral Filho desejou à governadora e à sua família um feliz 2007 e a agradeceu pelo envio das informações aos órgãos oficiais. Uma das reclamações que a assessoria de Cabral tem feito é justamente o fato de não ter recebido informações precisas sobre o que vai encontrar na máquina governamental. Cabral também lembrou que, depois de ter iniciado a carreira política com apenas 12 mil votos para deputado estadual, foi o mais votado nas eleições seguintes que disputou para a Assembléia Legislativa, o Senado e o governo estadual. Segundo ele, por isso, não é necessário que lhe lembrem o compromisso que tem com a população. A solenidade foi marcada também por manifestações de hostilidade a Benedita que ouviu gritos de "fora" e palavras de ordem: "nem Lula aturou você no ministério - Benedita secretária, fala sério!" Compareceram ao palácio dezenas de pessoas com camisetas em que estava escrito no peito: "obrigado, Rosinha Garotinho. Nova Iguaçu te ama" e, nas costas: "hoje, amanhã e sempre".

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.