´Mal-entendido´ liberta por 4 horas preso pela Operação Dominó

Menos de quatro horas após ser solto, o presidente da Assembléia Legislativa de Rondônia, José Carlos de Oliveira (PSL), o Carlão, voltou para a prisão. Aliviado com o alvará de soltura nesta terça-feira, cercado por alguns parentes e correligionários, Carlão saiu direto da carceragem da Polícia Federal para o aeroporto de Brasília. Já tinha feito check-in e aguardava chamada para embarque no vôo para Porto Velho, quando recebeu voz de prisão. O deputado protestou, mas não reagiu.Expedido na véspera pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), o alvará referia-se ao processo por corrupção, no qual Carlão foi preso com mais 23 acusados de integrar a quadrilha, desmantelada no mês passado pela Operação Dominó, que pilhava recursos públicos de Rondônia. A ordem judicial, todavia, não contempla a outra prisão, em flagrante por porte ilegal de arma, aplicada ao deputado quando a operação estava em curso. A PF explicou que tudo não passou de um mal entendido. A defesa do deputado entrará na quarta-feira com novo pedido para estender o alvará de soltura à outra prisão.O grupo com o qual Carlão foi preso teria provocado um rombo nos cofres públicos de pelo menos R$ 70 milhões, mediante corrupção, fraude, improbidade administrativa, venda de sentença e lavagem de dinheiro, entre outros crimes. Estão incluídos nele o presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Sebastião Teixeira Chaves, juízes, procuradores, secretários de estado e altos dirigentes dos três poderes estaduais, além de lobistas e empresários.No mesmo despacho que relaxa a prisão dos últimos presos pela Operação Dominó, o STJ decidiu afastar dos seus cargos temporariamente Teixeira Chaves e o conselheiro Edílson de Souza e Silva, do Tribunal de Contas do Estado, também envolvido com a quadrilha. Além de se considerar impedido de afastar Carlão da presidência da Assembléia, o STJ rejeitou a denúncia de formação de quadrilha contra o procurador José Carlos Vitachi e o juiz José Jorge Ribeiro. A autoria do despacho é da ministra Eliana Calmon, relatora do processo.

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