Major começa a ser julgado no caso dos Carajás

Começa hoje o julgamento do terceiro oficial da Polícia Militar paraense, major José Maria Oliveira, envolvido no massacre de Eldorado dos Carajás, que deixou 19 sem-terra mortos, em 17 de abril de 1996. Mas a promotoria pode enfrentar problemas com esse caso, pois duas importantes testemunhas da acusação não devem depor. Como alternativa, os promotores vão recorrer aos depoimentos que já constam do processo. A justiça do Pará espera, no entanto, um julgamento ainda mais tranqüilo e rápido que o ocorrido na semana passada. A defesa terá dois depoimentos importantes, que serão feitos fora do tribunal. O conselho de sentença irá se deslocar até a secretaria especial de Proteção Social para ouvir Paulo Sete Câmara, que na época era secretário de Segurança Pública do Pará, e o coronel Fabiano Lopes, na época comandante geral da PM. Ambos são acusados de dar a ordem para desobstruir a estrada ocupada pelos sem-terra, "a qualquer custo".A defesa vai alegar que o major José Maria chegou atrasado no conflito. A promotoria diz ter provas de que a tropa dele também participou do confronto. Se condenado, José Maria pode receber a mesma pena que o coronel Mário Pantoja, condenado a 228 anos de prisão. A promotoria protocolou ontem recurso no Tribunal de Justiça do Pará para que o coronel Pantoja fique preso enquanto recorre da sentença. Além disso, a acusação pede para que seja anulada a sentença que absolveu o capitão Raimundo Almendra Lameira.

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